quarta-feira, outubro 26, 2005

Andam para aí uns sensores...


Há uns semáforos – pouca gente sabe disto, mas é a mais pura das verdades –, pelo menos em Lisboa, que têm uns sensores que detectam o veículo para ficarem verdes. Funciona assim: estão vermelhos, mas nós aproximamos o carro, chegamos mais à frente, e o sinal abre. Se não chegarmos à frente, nunca mais saimos dali. Às vezes há assim uns silêncios, não sabemos o que dizer, e então saímo-nos com estas merdas.

segunda-feira, outubro 24, 2005

Lisboa, 1h10

Esplanada da Graça, céu limpo, ponte iluminada...

Strange dear, but true dear,
When I'm close to you, dear,
The stars fill the sky,
So in love with you am I.
Even without you,
My arms fold about you,
You know darling why,
So in love with you am I.
In love with the night mysterious,
The night when you first were there,
In love with my joy delirious,
When I knew that you could care,
So taunt me, and hurt me,
Deceive me, desert me,I'm yours, till I die.....So in love.... So in love....So in love with you, my love... am I....

domingo, outubro 23, 2005

Lisboa, 22h50

Não aguento. Não tenho emenda. Vou beber um copo.

Lisboa, 22h10

Este domingo está longe de ter sido dos mais felizes. Estou em casa a tentar optar entre um filme fútil, que provavelmente seria o que me faria melhor, e as lições de vida do Paul Auster. Definitivamente, contava terminar o fim-de-semana de outra forma.

Lisboa, 17h50


Enfiei-me no cinema a ver o Alice. O filme é azul. Mas é só um filme, é tudo a fingir.

Lisboa, 17h15

A menina pergunta-me se quero a sandes aquecida. Respondo que sim. Erro meu. Veio a ferver, com o queijo a derreter-me nas mãos. (In)felizmente não havia ninguém para se rir de mim.

quinta-feira, outubro 20, 2005

Momento

É um momento muito especial quando alguém especial nos diz que somos especiais.

terça-feira, outubro 18, 2005

E então?

Já alguma vez repararam naquele aparato de inconsciência não assumida, ou lá como se chama, quando acordamos a meio da noite, ainda entrouxados no sono, e conseguimos ver com uma clareza brutal a solução para os nossos pútridos medos? E pensamos é isto mesmo, como não tinha ainda eu percebido? Assim que encarar o dia é isso mesmo que vou fazer. Acontece também quando os ébrios momentos nos convidam a passear no carrossel mágico. Tudo tão lógico, tão fácil. E então? O que nos prende depois?

segunda-feira, outubro 17, 2005

Crash

Uma colisão. Não a de sábado à noite no Quarteto, mas uma colisão de ideias. Chocavam todas, umas contra as outras, dentro da sua cabeça e, está visto, não foi nada sensato pedir esclarecimento à mistela de cachaça com mel e aos mojitos sob a desculpa de que o sábado serve para aliviar tensões. Mentia descaradamente a todos. Então e coisas? A pergunta era já habitual na amiga com quem partilhou a mesa do restaurante, no domingo, mas ele disparou também a resposta habitual... e desta vez errada. Nada de novo. O Sporting perdeu, mas isso tu já sabes. E mais um copo foi então entregue à epopeica tarefa de lhe colocar as ideias na ordem entre conversas de desventuras. Aquelas que o velho Páginas Tantas já se habituou a ouvir para dar por encerrado o fim-de-semana.

sábado, outubro 15, 2005

Só pergunto...

... o que promete um fim-de-semana que começa com o Jamaica? As saudades que eu tinha do Jamaica!... Até que enfim que lá volto.

sexta-feira, outubro 14, 2005

Anda aí coisa

O nervoso miudinho começava a instalar-se sem convite. Primeiro foi-se o apetite, depois vieram os arrepios na barriga, a perturbação imiscuiu-se e a soma destes sentimentos – a que os sábios resumem numa palavra, medo – era ironicamente aspergida com um estúpido e infantil contentamento indisciplinado no qual os amigos haviam já reparado. Anda aí coisa, diziam-lhe. E a coisa não andava longe. Ele antecipava a chegada do dia. Muito em breve iria poder mostrar-lhe a música que lhe fizera. Ou, visto de outro molde, se quisermos ser honestos, a música que prodigiosamente lhe tinha toado na cabeça quando, ainda estremunhado, abria na segunda-feira de manhãzinha os olhos para enfrentar a claridade do dia. Não sei se, tendo sonhado a melodia que lhe iria oferecer, pode dizer-se que foi ele quem a compôs. Ainda assim, sente-se no direito – e toleremos-lhe a ousadia – de reclamar para si a sua lavra. Afinal, foi quem a sonhou, ainda que lhe tenha sido consagrada numa bandeja de prata e ouro por um qualquer deus com bazófia de Cupido madrugador. Mas era isso. Estava por dias, senão por horas, a mais secreta declaração de amor que alguma vez tenha tido coragem de conhecer em si mesmo. Mas não haveria de lhe falar já da razão da sua inspiração. Nem sabe se alguma vez o fará. Não suportaria, para já, deixar estilhaçar em mil pedaços a desmesurada felicidade que lhe anda aí estampada no rosto.

quarta-feira, outubro 12, 2005

Uma velha melodia

Escutei-a nitidamente, esta noite. Há quanto tempo?... Estava a fazer-me muita falta ouvir a chuva cair assim enquanto a cama é todo o meu mundo. Bom dia a todos.

A culpa não é do Spike Lee

O King, mais uma vez. Ele presta um culto indiscutível àquele cinema. Cada vez que lá vai, leva consigo a angustiante sensação de que não é por muito mais tempo que continuará a ver filmes naquelas salas, porque cinemas assim, sabe-se, apanharam o hábito de terem os dias contados, assim tipo uma doença. O Spike Lee também não estava no seu melhor, nem nós temos a culpa que ela, fosse quem fosse, o odiasse, mas nem foi isso que mais o irritou. Quase não chegou a horas, já entrou na sala no escuro, e para trás ficava o que mais lhe dava prazer quando lá ia. É que os livros ali, naquelas prateleiras, têm outro sabor. Nem a tosta da Bica para terminar o dia o consolou. Melhores dias virão.

segunda-feira, outubro 10, 2005

A música vestiu-se de sonho

Começou o dia com os acordes na cabeça. Finalmente parecia-lhe que tinha ali o esboço de uma música, a música que se tinha prometido fazer-lhe. Ele não sabe bem como aconteceu, foi como se tivesse sonhado com a melodia. Às vezes é assim mesmo, gasta-se o tempo e cansam-se os dedos nas cordas da guitarra a forçar o que simplesmente sairia descabido para, de repente, a música vestir-se de sonho e chegar de madrugada. Mas logo hoje?, pensou, revoltado por ser o primeiro dia de trabalho depois das merecidas férias. Ele já tinha dedicado boa parte da sua inspiração a pensar como fugiria ao estúpido e já costumeiro Souberam a pouco perante a desinteressada pergunta no jornal Como correram as férias. Talvez o alento lhe tenha surgido dos "Edukadores", na sessão da noite do King, na véspera. Tinha-se esquecido da existência de Jeff Buckley. E os seus acordes, no enredo, o dedilhado daquelas doces cordas, no meio daquele amor revoltado e revolucionário, ficavam a matar. As notas ecoaram-lhe ao longo de todo o dia como se de um anjo da guarda se tratasse. As notas da música para ela, finalmente. Uma música para ela, sim, era isso.

domingo, outubro 09, 2005

Imagens e pastéis

Ontem, World Press Photo. De tanto ver, o coração parou, mas os pastéis de belém estavam como nunca. Agora vamos lá escolher o mal menor nas urnas, que já são horas.

Primeiro acorde

É aqui que começa este blogue. Na madrugada de um domingo como outro qualquer, sem sono, sem pressas. Escreverei sobre nada, direi o que me apetece, disparates, segredos dissimulados para quem os tentar interpretar nas entrelinhas, desabafos. Vivências na forma de palavras, de uma imagem, de um som. Momentos vividos. Ou simplesmente inventados quando gostava de os ter vivido. E que, um após outro, fazem a melodia que me acompanha, sempre a mudar, conforme tudo o resto que sobra. Em crescendo, suave, allegro, andante, adagio, staccato... mas sempre em ré menor. Porque fica bem, porque fica bonito. Porque sim. É assim como a sinestesia, mas com sons. Para tudo há uma música que encaixa. E assim nasce a banda sonora do filme. Insisto, em ré menor. Mais uma vez, porque sim. Também não sei explicar. Ele há velhas manias.