Segundo a imprensa económica de hoje, Jerôme Kerviel, corretor do Société Générale responsável pela maior fraude de sempre, disse às autoridades francesas que o banco foi "complacente" com as suas práticas "enquanto estivémos a ganhar". Esta estratégia do estilo eu enterro-me mas vocês vão comigo tem uma razão de ser e – cá vamos nós ao Barings Bank – não é inédita. Repare-se no pormenor do plural em enquanto estivémos a ganhar.
Quando damos por ela, já partilhamos o que juraríamos serem segredos só nossos. Mas, também, de que outro modo descobriríamos quem os entende?
quarta-feira, janeiro 30, 2008
terça-feira, janeiro 29, 2008
(Não) sei bem o que andaste a fazer
Voltamos à mesma conversa. Enquanto Nick Leesons e Jerome Kervials desta vida vão "enganando" sem acidentes de percurso bancos mesmo por entre complexos sistemas de segurança onde dificilmente algo passa despercebido, tudo permanece normal. Há uma espécie de sei bem o que andas a fazer, mas eu não quero saber. O escândalo, naturalmente, só se torna impactante quando uma inconveniente faísca de curto-circuito da economia mundial atira para prejuízos de milhares de milhões de dólares um investimento que até parecia bem feito. Nestas alturas, tudo o que é necessário colocar em cima da mesa é um culpado. Por isso não se espante o presidente do Société Générale de estar agora a ser alvo de pressões do governo francês. Contudo, a replicar-se a falência do Barings de há 13 anos, são os accionistas que ficam a arder.
sexta-feira, janeiro 25, 2008
Snob
Devagarinho, vou fazendo a experiência. Regresso de vez em quando aos sítios onde seria impossível não me cruzar com as tertúlias com cheiro a redacção. Para ser franco, nem imagem faço do jornalismo da máquina de escrever, já apanhei o computador. Pus os meus pés pela primeira vez numa redacção poucos dias depois de o Ricardo de Saavedra me ter afiançado Puto, a partir de segunda-feira estás aqui às 10h30 para seres jornalista. Em Janeiro de 1992 lá estava eu no Diário de Notícias a tirar fotocópias e pouco mais numa tarefa que me preenchia de orgulho e, sabe-se lá com que intuito, já me permitia dizer do topo dos meus 35 mil escudos mensais entre amigos Eu sou jornalista. Tinham sido para isso mesmo os estudos, era esse o meu objectivo, embora a minha primeira carteira profissional (antes da suspensão do mítico documento) tivesse chegado apenas em Setembro desse ano, um cartãozito mal engendrado dentro de um plástico manhoso que me fez esperar um ano pelo "definitivo" caderninho de capa preta com letras douradas a proteger a lenga-lenga dos meus direitos e deveres profissionais.
Mas, voltando aos pontos de tertúlia "redaccionária", ontem repeti um gesto bem à moda antiga: fui ao snob comer um bife. Não, não estou a ser invadido por nostalgias jornaleiras, mas notei bem as diferenças. Não conheci mais do que uma ou duas alminhas presentes, o bife já não é assim tão bom e em vez de lá ir com a rapaziada de outros tempos fui apresentar este espaço de culto da ex-noite de Lisboa a um "cúmplice" da minha nova actividade profissional. Lembro-me de ter comentado, às tantas, que não me recordo se esta sala era assim.
Então sim, já com um pouco de nostalgia, lembro-me agora que "conto" histórias até a quem me ensinou a ser jornalista, recordo-me do Luís Paixão Martins como a fonte da minha primeira história alguma vez publicada (creio que ao fim de 16 anos já não haverá problema em revelar fontes sobre uma tal de "Construções Técnicas, S.A.") e faço a vénia aos inúmeros corretores que de vez em quando me explicavam porque é que tantas mil acções da empresa X ou Y passavam daqui para ali e para estar com atenção aos próximos dias.
Hoje faço gestão de comunicação e os meus "novos" destinatários vão seguramente comer o bife para outras paragens. Mas um dia destes, garanto, lá estarei de novo a degustar a vazia do snob.
Já agora, ainda que não tenha nada a ver com o assunto, vou ser pai em Julho.
Mas, voltando aos pontos de tertúlia "redaccionária", ontem repeti um gesto bem à moda antiga: fui ao snob comer um bife. Não, não estou a ser invadido por nostalgias jornaleiras, mas notei bem as diferenças. Não conheci mais do que uma ou duas alminhas presentes, o bife já não é assim tão bom e em vez de lá ir com a rapaziada de outros tempos fui apresentar este espaço de culto da ex-noite de Lisboa a um "cúmplice" da minha nova actividade profissional. Lembro-me de ter comentado, às tantas, que não me recordo se esta sala era assim.
Então sim, já com um pouco de nostalgia, lembro-me agora que "conto" histórias até a quem me ensinou a ser jornalista, recordo-me do Luís Paixão Martins como a fonte da minha primeira história alguma vez publicada (creio que ao fim de 16 anos já não haverá problema em revelar fontes sobre uma tal de "Construções Técnicas, S.A.") e faço a vénia aos inúmeros corretores que de vez em quando me explicavam porque é que tantas mil acções da empresa X ou Y passavam daqui para ali e para estar com atenção aos próximos dias.
Hoje faço gestão de comunicação e os meus "novos" destinatários vão seguramente comer o bife para outras paragens. Mas um dia destes, garanto, lá estarei de novo a degustar a vazia do snob.
Já agora, ainda que não tenha nada a ver com o assunto, vou ser pai em Julho.
terça-feira, janeiro 22, 2008
Mas que parvoice!
Notícia de hoje recheada de terror, medo e, sobretudo, muitos filmes estúpidos de domingo à tarde para todos os gostos: Telheiras: saco suspeito encontrado no metro não continha explosivos. O saco suspeito encontrado esta manhã na estação de Telheiras do Metropolitano de Lisboa continha material electrónico mas nenhum explosivo, adiantou o comando metropolitano da PSP. O incidente obrigou à suspensão da circulação em toda a Linha Verde do metro durante duas horas e meia. Em declarações aos jornalistas, a subcomissária Paula Monteiro explicou que o saco que a equipa de inactivação de explosivos detonou, cerca das 13h30, continha fios, discos e aparelhagem electrónica. O saco estava coberto com um lenço árabe, o que ajudou a levantar suspeitas sobre o seu conteúdo, confirmou a porta-voz.
domingo, janeiro 20, 2008
quarta-feira, janeiro 16, 2008
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Nova lei anti-não fumador
Não sou fumador e por isso, meus amigos, posso dizer-vos que nunca fui tão incomodado pelo fumo como agora, com a nova e brilhante legislação, fruto de iluminado génio a quem lhe falta umas boas ofensas verbais e corporais. Desde que saiu a nova lei que sou obrigado a atravessar autênticos clusters de fumo condensado que tornam pior a emenda do que o soneto. É o que acontece quando se entra ou sai de um centro comercial ou de uma empresa qualquer: o contacto entre o mundo interior e exterior faz-se por uma densa parede de fumo que há que atravessar em passo ligeiro e de respiração sustida.
Outra coisa que me anda a provocar micoses é a merda que são agora os outrora salutares convívios durante uma refeição em restaurante. Ou sou obrigado a ir para uma sala onde o nevoeiro convida o D. Sebastião a regressar da posição de gatas em que se diz ter sido sodo... "trespassado" em Alcácer Quibir ou terei de assistir ao degradante espectáculo dos meus convivas a engolirem de uma só garfada o que têm no prato para irem chupar nicotina como se não houvesse amanhã, deitando de rastos qualquer cavaqueira, quer das amenas, quer das outras.
Ora, a isto tudo soma-se o mau humor com que os portugueses se têm presenteado entre si desde o início do ano e posso dizer-vos com franqueza: se vejo na rua o cabrão que inventou esta lei, galgo o passeio com o carro.
Outra coisa que me anda a provocar micoses é a merda que são agora os outrora salutares convívios durante uma refeição em restaurante. Ou sou obrigado a ir para uma sala onde o nevoeiro convida o D. Sebastião a regressar da posição de gatas em que se diz ter sido sodo... "trespassado" em Alcácer Quibir ou terei de assistir ao degradante espectáculo dos meus convivas a engolirem de uma só garfada o que têm no prato para irem chupar nicotina como se não houvesse amanhã, deitando de rastos qualquer cavaqueira, quer das amenas, quer das outras.
Ora, a isto tudo soma-se o mau humor com que os portugueses se têm presenteado entre si desde o início do ano e posso dizer-vos com franqueza: se vejo na rua o cabrão que inventou esta lei, galgo o passeio com o carro.
quinta-feira, janeiro 10, 2008
Este post...
... serve para vos dizer que hoje assumidamente não haverá post. Nos outros dias em que não há post é por falta de tempo ou por não me ocorrer nada para dizer. Hoje é apenas porque é mau dia, porque coisas para dizer não faltam.
Um grande bem haja.
Um grande bem haja.
segunda-feira, janeiro 07, 2008
sexta-feira, janeiro 04, 2008
Entrada de joelhos
Limito-me, pois, a transcrever a citação de José Castelo Branco na edição desta semana da Lux sobre o reveillon dos "famosos": À meia-noite estava de joelhos a rezar o Pai Nosso, em pura oração pela paz no mundo.
quinta-feira, janeiro 03, 2008
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