sexta-feira, setembro 26, 2008

Crueldade, sal e lágrimas (e Justiça?)

Posso até compreender que a Lei seja para cumprir. Permito-me até entender que Lei e Justiça sejam dois conceitos ironicamente diversos, razão pela qual as leis mais injustas pululam entre as sociedades. Porém, não posso conceber que ao abrigo da Lei se possa entrar num autêntico jogo de chacota e cruel zombaria. Ontem, a Polícia Marítima apreendeu 20 toneladas de corvina ao largo de Sesimbra a pescadores que acabavam de regressar ao porto. O "crime", segundo consta dos cardápios, e reduzido ao formato mais simples, residia no facto de estes homens terem pescado em excesso. Não vou defender ou atacar aqui a sensatez da legislação aplicada neste caso, até porque sou defensor do seu cumprimento independentemente, lá está, da sua justiça. Mas não posso deixar de me sentir revoltado com a crueldade dos procedimentos perante gente que trabalha e que se esforça para colocar pão na mesa dos seus filhos. O peixe apreendido por sete agentes armados passou imediatamente para a propriedade do Estado, que o vendeu logo de seguida, mesmo à frente dos pescadores que o foram buscar ao mar, como que a gozar, a 17 cêntimos o quilo. Dinheiro que, ainda que simbólico e representativo da mais abstrusa mesquinhez, reverteu naturalmente para os cofres do Estado. Assim como as multas que foram ali aplicadas aos "criminosos". É ou não cruel? Pena que os pescadores não tenham tido a ideia de deitar de novo o peixe ao mar.

Julguem por vocês mesmos neste link (enquanto não há video no Youtube)

quarta-feira, setembro 17, 2008

Richard Wright, 1943-2008

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Não sei como seria a minha reacção se fosse apresentado hoje pela primeira vez às melodias que saíram do teclado dos Pink Floyd, mesmo que mas situassem na época. O que é certo é que os keyboard solos, tão habituais na banda britânica, marcaram a minha vivência musical desde muito cedo, acabando por influenciar grandemente o meu ouvido para o que (ainda) gosto de ouvir. É um pouco como os Dire Straits. Gostei muito e só mesmo isso pode explicar o facto de ainda hoje me saber muito bem ouvir um qualquer dos trabalhos bem démodés da ex-banda de Mark Knopfler. O mesmo acontece com os Marillion do tempo de Fish. A música tem destas coisas. Talvez haja quem acredite que Richard Wright, mais uma vítima de cancro, tenha partido para um Great Gig in The Sky no passado dia 15 de Setembro.

sexta-feira, setembro 12, 2008

Levantar voo, dar piruetas no ar e voltar ao chão (2)

Foi tudo muito rápido, passou à frente dos meus olhos quase sem dar por ela. Mudei de emprego quase sem pestanejar. Voltei a trabalhar no centro da cidade. Passei a ser pai. E, mais, um pequeno ser que ainda nem há três meses nasceu já olha para mim e sorri.

Levantar voo, dar piruetas no ar e voltar ao chão

O que poderá justificar uma ausência de praticamente dois meses e meio das escritas bloguísticas? Pista n.º 1: dois meses e meio é, mais ou menos, a idade actual da Laura, que cortou a fita das inaugurações da minha condição de pai. Pista n.º 2: O(s) meu(s) último(s) posts são sobre o nascimento da minha filha.