Começou o dia com os acordes na cabeça. Finalmente parecia-lhe que tinha ali o esboço de uma música, a música que se tinha prometido fazer-lhe. Ele não sabe bem como aconteceu, foi como se tivesse sonhado com a melodia. Às vezes é assim mesmo, gasta-se o tempo e cansam-se os dedos nas cordas da guitarra a forçar o que simplesmente sairia descabido para, de repente, a música vestir-se de sonho e chegar de madrugada. Mas logo hoje?, pensou, revoltado por ser o primeiro dia de trabalho depois das merecidas férias. Ele já tinha dedicado boa parte da sua inspiração a pensar como fugiria ao estúpido e já costumeiro Souberam a pouco perante a desinteressada pergunta no jornal Como correram as férias. Talvez o alento lhe tenha surgido dos "Edukadores", na sessão da noite do King, na véspera. Tinha-se esquecido da existência de Jeff Buckley. E os seus acordes, no enredo, o dedilhado daquelas doces cordas, no meio daquele amor revoltado e revolucionário, ficavam a matar. As notas ecoaram-lhe ao longo de todo o dia como se de um anjo da guarda se tratasse. As notas da música para ela, finalmente. Uma música para ela, sim, era isso.
Quando damos por ela, já partilhamos o que juraríamos serem segredos só nossos. Mas, também, de que outro modo descobriríamos quem os entende?
segunda-feira, outubro 10, 2005
domingo, outubro 09, 2005
Imagens e pastéis
Ontem, World Press Photo. De tanto ver, o coração parou, mas os pastéis de belém estavam como nunca. Agora vamos lá escolher o mal menor nas urnas, que já são horas.
Primeiro acorde
É aqui que começa este blogue. Na madrugada de um domingo como outro qualquer, sem sono, sem pressas. Escreverei sobre nada, direi o que me apetece, disparates, segredos dissimulados para quem os tentar interpretar nas entrelinhas, desabafos. Vivências na forma de palavras, de uma imagem, de um som. Momentos vividos. Ou simplesmente inventados quando gostava de os ter vivido. E que, um após outro, fazem a melodia que me acompanha, sempre a mudar, conforme tudo o resto que sobra. Em crescendo, suave, allegro, andante, adagio, staccato... mas sempre em ré menor. Porque fica bem, porque fica bonito. Porque sim. É assim como a sinestesia, mas com sons. Para tudo há uma música que encaixa. E assim nasce a banda sonora do filme. Insisto, em ré menor. Mais uma vez, porque sim. Também não sei explicar. Ele há velhas manias.
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