Quando damos por ela, já partilhamos o que juraríamos serem segredos só nossos. Mas, também, de que outro modo descobriríamos quem os entende?
quarta-feira, maio 10, 2006
terça-feira, maio 09, 2006
O problema dele era não ter amigos
Noticiava assim o jornal "Público" de hoje: A PJ deteve na Ponte 25 de Abril um guarda-costas suspeito de aproveitar a hora de almoço para assaltar bancos em vários pontos do país. O "solitário" nunca abdicava do boné, dos óculos escuros e das luvas de borracha. Acho ainda interessante a seguinte passagem, quando o texto da notícia refere que o assaltante, de 28 anos e com um perfil urbano perfeitamente normal, tinha um emprego: Quando o trabalho não correspondia às suas expectativas, o indivíduo fazia um assalto. Achei que era importante transcrever isto.
segunda-feira, abril 03, 2006
sexta-feira, março 24, 2006
Útil ensinamento
Deixem-me só partilhar convosco uma pequena história que me foi contada pelo meu pai já há alguns anos, ficcionada, mas que tem sido para mim uma das lições das quais tenho tirado maior proveito, tanto na vida pessoal como, e principalmente, na vida profissional. E é tão simples. Reza assim: Era uma vez um senhor que tinha ido a um museu. Estava com um desejo incontrolável de fumar. Vendo beatas no chão, dirigiu-se ao segurança e perguntou se poderia fumar, ao que o segurança prontamente lhe respondeu que não. Indignado, o protagonista da nossa história rapidamente perguntou E de quem são estas beatas no chão?. Ao que o segurança lhe respondeu São de quem não perguntou. Só isto.
terça-feira, março 21, 2006
As noites em que o cão ladra II: o sabor amargo da madrugada
Há alguns dias que tudo está mais quieto. O cão já o deixa dormir e ele, talvez por defesa, optou por apagar das suas memórias o episódio da menina que tinha visto na outra noite a entrar na arrecadação do pátio. Pensou que sonhara, ou que estaria demasiado cansado e, vendo bem as coisas, os gatos têm mesmo visitado o quintal, o que deixa no cão uma peculiar irritação que acaba por desassossegar toda a casa. Como se todos tivessem de acudir noite fora na protecção do território que o bicho julga ameaçado. Por isso não cogitou mais no assunto. Mas evidente passou a ser que sempre que se levanta de noite, independentemente da razão, nem olha para a janela. As investidas à arrecadação, passou-as a fazer unicamente à luz do dia e, até hoje, nunca contou a ninguém o que viu naquela noite. Não sabe se esta atitude, a de ignorar o que aconteceu, ou fingir que apenas o sonhou, será a mais correcta, mas pareceu-lhe, sem escrúpulo, a mais confortável. Pelo menos assim era até à noite passada. Bruscamente, uma sede incontrolável roubou-o ao seu sono e a garganta, de tão seca, quase não o deixava respirar. A boca parecia que colava e assombrava-o a estúpida ideia de que a aflição não lhe permitiria sequer chegar à cozinha. A viagem até à torneira seria uma provação, mas não lhe restava outra condição. Acendeu a luz e, agarrado às paredes como se vivesse a maior ressaca dos seus dias, escorregou pelo quarto, atravessou o hall e atirou-se como um faminto ao bocal onde saciou a sua angústia. A cada trago que ingeria, sentia, uma a uma, as células do seu corpo recuperarem e viu-se renascer. Estava pronto para regressar aos lençóis, agora com outro vigor e na certeza de novas forças para o dia seguinte. De volta ao quarto, olhou quase sem dar por isso para o grande espelho do hall da entrada e foi então que lhe veio um amargo sabor à boca e o coração, mais uma vez, disparou como se quisesse pular ali mesmo para o meio do chão. Não havia dúvida, e não poderia estar mais lúcido. No reflexo, viu claramente um vulto a desaparecer para o nada atrás de si. Virou-se num movimento impetuoso, mas o sossego era o mesmo de há segundos, no meio da escassa luz que vinha lá do fundo, da sua mesa-de-cabeceira. Pouco faltava já para o amanhecer e o cão, estendido onde sempre se habituara a cochilar, limitava-se a segui-lo com os olhos em todos os seus movimentos. Todo o dia que se seguiu foi acompanhado do mesmo sabor amargo daquela madrugada.
segunda-feira, março 20, 2006
(des)mentir
Mais ciência dos blogues. No espaço de um mês, assisti de perto a três casos em que as prosas cibernéticas comprometeram os seus autores, criando problemas e situações de solução difícil (se é que poderão mesmo ser resolvidas). Eu próprio já fui estupidamente “medido” por coisas que escrevi no meu blogue. Só que ao contrário de outras pessoas – incluídas nos casos referidos –, não olho para este espaço como merecedor de privacidade. Se lá escrevo – e tendo a noção de que, escrevendo na Internet, no mesmo segundo posso ser lido nos antípodas –, é natural que não me sinta invadido por estar a ser lido. Aliás, esse é precisamente o propósito, porque de outro modo teria um diário na gaveta da mesa-de-cabeceira. Este é o espírito do blogue, e quem escreve no ciberespaço com a perfeita noção de que ninguém o lê, ou que controla com exactidão quem lê, está a anos-luz do conceito. Mas está também muito distante do conceito quem lê blogues a julgar que vai ter um traçado da vida dos seus autores. E por isso, aqui fica um esclarecimento sobre a minha a vida em ré menor: os pensamentos, as observações (como esta que agora escrevo), são reais. Não estou a mentir. Mas nunca conheci um mojito que se tivesse apaixonado por uma bola de gelado. Existe, de facto, um cão que à noite ladra aos gatos, mas nunca me apareceu pirralha alguma a entrar para a arrecadação. Tal como nunca escrevi uma música com o intuito de me declarar a alguém. Mas gosto efectivamente de tomar café na esplanada da Graça e de ir ao Miradouro da Senhora do Monte. Por isso, não me crucifiquem.
quinta-feira, março 16, 2006
Temo pelo futuro do meu país…
…fui a um concerto de rock – ou pop, ou lá o que é – na segunda-feira, cheio de malta nova, e em momento algum me cheirou a erva.
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
As noites em que o cão ladra
Efectivamente não era habitual, aquilo, e a situação já estava a dar com ele em doido. Há várias noites seguidas que o cão ladrava a esganiçar-se para a janela que dá para o pátio. O próprio animal não pregava olho, plenamente invadido pela obsessão com os escassos dez metros quadrados, lá fora, e a pequena arrecadação lá ao fundo com a porta entreaberta. Invariavelmente à mesma hora, todas as noites, por volta das quatro e meia, para ser mais conciso, aquele momento em que o sono atinge o seu estado mais profundo. De nada serviam os castigos ao patife e as inofensivas, mas marcantes, palmadas no focinho só para o reprimir. Talvez a solução para o problema passasse antes por um método qualquer para afastar os gatos do quintal e acabar de uma vez com a desordem. Mas até ideia melhor, a rotina das últimas noites prometia repetir-se. Lá se levantava, mandava calar o cão e abria a porta do pátio, para onde o bicho saía disparado a correr, a cheirar tudo, e para investigar com urgência a arrecadação. Anda para dentro, é de noite, e os gatos já se foram, dizia-lhe, já em angústia, naquela inocência humana de que os cães percebem, palavra por palavra, o que lhes dizemos. As restantes horas até de manhã para o cão eram passadas a latir, tal não era o seu medo de que os gatos “invadissem” o “seu” território. Na última noite atingiu o limite. Estava especialmente cansado e o cão lá parecia um relógio, a rosnar e a ladrar desalmadamente às quatro e meia da manhã, com as patas apoiadas no beiral da janela. Ele levantou-se determinado e tinha decidido, independentemente do frio, fechar o cão lá fora. Nem acendeu a luz. Aproximou-se, percorreu com o olhar o exíguo espaço para confirmar que não estaria a chover e para ver se encontrava os culpados de tal desassossego. E foi então que viu. Uma criança. Uma menina, com não mais de oito anos de idade, um vestido despretensioso, de dormir, e um peluche debaixo do braço. O rosto, mergulhado nos cabelos pretos que lhe caíam pelos ombros, continha daquela tristeza de quem tinha estado a chorar. À distância, cruzaram olhares, mas não mais do que cinco segundos. A catraia, sempre de rosto inalterado, deu meia-volta e entrou na arrecadação. Com o coração aos pulos e com o cão aos pés, irrequieto como nunca, foi lá fora, abriu lentamente a porta da arrecadação, entrou e acendeu a luz. Mas nem vestígios. Foi como se a menina nunca tivesse ali estado. Estou morto de cansaço, pensou, e voltou-se a deitar. Só que não dormiu nem mais um segundo e limitou-se a esperar que a manhã lhe desse pretexto para sair dali.
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
A vida dá muitas voltas
É com alguma felicidade – e, muito sinceramente, vou colocar de lado a hipótese de coincidência – que verifico que o bolo de arroz do estimado Alcobaça, o café aqui em frente, deixou de ter boa parte do papel agarrado. Finalmente vai ser possível comer um bolo de arroz sem ter de o escarafunchar com as unhas. De quando em quando, há coisas boas na vida. Pena ser só para os que se contentam com pouco.
terça-feira, fevereiro 14, 2006
A vida quase todos os dias
Pretende-se de um blog que lá se rabisque qualquer coisa todos os dias. Julgava que assim não era, que se ia escrevendo à medida que há coisas que nos apetece dizer (atenção, completamente diferente de haver coisas para dizer). Mas a verdade é que, inesperadamente, um espaço que iria servir para experimentar desabafos e ficções, ainda que partilhado, acabou por me agraciar com visitas fiéis diárias. Não sei de quem, mas há três ou quatro leitores, no mínimo, que voltam todos os dias, quase sempre às mesmas horas, até. Para um blog pequenino, sem história, e que não foi sequer "publicitado", sabe bem. Isto sem qualquer vergonha face aos blogs que têm centenas de visitas diárias – o meu raramente chega às 20 – e que podem estar a rir-se do infantil regozijo com esta pequenez. Ora, nesse caso, passo a dever uma explicação para a errática frequência com que publico um post. Acontece que prometi a mim próprio manter-me afastado, na medida do possível, dos posts dramáticos, escuros, depressivos, coisas mal resolvidas e chorosas. Essas, ditosamente raras (porque sou feliz), ficam para mim. Tudo o resto, é vida. Uma vida que funciona quase todos os dias.
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
Por favor, pode descascar-me um bolo de arroz? E era um galão, também. Obrigado.
Eu compreendo. Eles não fariam tal coisa para nosso mal. Compreendo perfeitamente que o bolo de arroz tenha de ter aquele papel todo agarrado. Só que custa a tirar, sobretudo aquele que vem na base, e vai mais de metade do bolo agarrado àquela merda!...
quarta-feira, fevereiro 08, 2006
Dura conclusão
Após um inteligentíssimo brainstorming aqui no local de trabalho, chegámos à triste conclusão de que somos pagos para nos massacrarmos uns aos outros neste jornal. O mais preocupante é que ninguém conseguiu argumentar o contrário. Eu confesso que também não me lembrei de nada para tirar da cartola no sentido de contrariar a descoberta.
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
Torradas de bacalhau
Ingredientes:
2 fatias de pão de forma
manteiga q.b.
1 posta de bacalhau seco
Preparação:
2 fatias de pão de forma
manteiga q.b.
1 posta de bacalhau seco
Preparação:
Torre as duas fatias de pão até alourarem, barre a manteiga em ambas. Parta a posta de bacalhau ao meio, mesmo cru, e coloque cada metade sobre cada uma das fatias de pão. Dá para duas pessoas. Acompanhe com um galão quentinho.
sexta-feira, fevereiro 03, 2006
;-)
Estou proibido de lavar a loiça lá em casa, porque parece que entupo sempre o ralo e a cozinha inunda!
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
O ouro é nosso
quarta-feira, fevereiro 01, 2006
A doutora está livre de perigo
Hoje, mais uma vez, dentista. E a coisa não se fica por aqui. A doutora não descansará enquanto eu não tiver os dentes todos esgravatados, desvitalizados, esbranquiçados e sabe-se lá o quê mais. Mas hoje estava constipado e instalou-se em mim uma onda de pavor. Quase deitado na cadeira da senhora doutora, de boca aberta, com aparelhómetros apoiados nos dentes e com o minucioso trabalho de pinças, alicates e outros artefactos metalizados de impor respeito, ocorreu-me que poderia espirrar a qualquer momento. E espirrar naquele instante seria como o disparar de uma catapulta cheia de inúmeros pequenos objectos. Pôr a mão à frente, como manda a educação, numa situação daquelas, nem pensar. Avisar ou expressar qualquer verbo, também fora de questão. À minha frente só via as caras confiantes da doutora e da sua assistente, muito longe de imaginar o perigo que corriam. Mas pronto, já passou, não se pensa mais nisso.
domingo, janeiro 29, 2006
sexta-feira, janeiro 27, 2006
Apanhei um substantivo feminino, parte II
O que ando a tomar para me aliviar a constipação e prevenir a gripe, está escrito, pode causar diarreias, vómitos e ligeiras hemorragias gastrintestinais. Podem ainda desenvolver-se úlceras gastrintestinais, em alguns casos com hemorragia e perfuração. Ainda alterações da função do fígado e da função dos rins e reacções cutâneas graves. Também tonturas e zumbidos. E, cuidado, não pode ser tomado com (e vou escondê-los numa gaveta bem funda, porque tenho disto em barda lá em casa) anticoagulantes, corticosteróides, sulfonilureias, metotrexato, sulfonamidas e (muito importante, esta agora) ácido valpróico. Outro sério aviso que vem lá, não posso fazer aumento das concentrações plasmáticas de digoxina, seja isso o que for. Ora, estando eu a tomar quatro ou cinco comprimidos disto no espaço de um dia, reitero o meu post de ontem: tenho para mim que está a chegar a minha hora!
quinta-feira, janeiro 26, 2006
Apanhei um substantivo feminino
«Gripe: substantivo feminino. MEDICINA. doença febril, muito contagiosa, epidémica, de duração curta, também denominada influenza, que se manifesta principalmente por febre, cefaleia e afecção das vias respiratórias.» in Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.
Gostaria de salientar as seguintes passagens desta definição: «muito contagiosa»; manifesta-se por «febre, cefaleia» e é «epidémica». Há até quem já me tenha dito que posso estar com umas pintinhas brancas na garganta. Enfim, é um horror!
Gostaria de salientar as seguintes passagens desta definição: «muito contagiosa»; manifesta-se por «febre, cefaleia» e é «epidémica». Há até quem já me tenha dito que posso estar com umas pintinhas brancas na garganta. Enfim, é um horror!
Frágil vida, esta
Acordo com dores de garganta, sinto uma irritação no nariz, custa-me respirar de boca fechada, ando com voz nasalada e tenho de assoar-me com muita frequência. Acho que está a chegar a minha hora!
quarta-feira, janeiro 25, 2006
Tenho tanto soninho...
Serve este post só par% #&$/ @[}&% ª^*dfgf asdç~i fkjç zzzzzzzzzzz zzzzzzzzzzzz zzzzzzzzzzzzzz zzzzzzzzzzzz zzzzzzzzzzzzzz zzzzzzzzzz zzzzzzzzzzz zzzzzzzzzzz zzzzzz zzzzzzzzzzz zzzzzzzzzzzz zzzzzzzzzzzzz zzzzzzzz zzzzzzzzzz zzzz zzzzzzzzzzz zzzzzzzz zzzzzzzzzzzzzzz zzzzzzzzzz zzzzzzzzzzz zzzzzzzzzzzzz zzzzzzzz z zzzz zz zzzzzz zz zzzzzz zzzzzzzz zzzzzzzz...
segunda-feira, janeiro 23, 2006
Numa fria noite de Lisboa
A noite estava fria, mas nada iria demovê-lo do passo que tinha dado. Num gesto de coragem que nunca antes ousara, o mojito vestiu a sua melhor hortelã, passou-lhe ao de leve as mãos numa vã tentativa de disfarçar o ar engelhado e saiu de casa. Os nervos não aquietavam nem com gelo picado. O encontro era agora. Estava tudo irreversivelmente planeado com a bola de gelado de creme de leite. Sonhava com o momento há vários dias, mas a timidez, seu apanágio de tenra idade, quase lhe prendia as pernas e obstruia a respiração. Tudo iria começar às 22 horas, no Largo do Camões, em caminho para ambos, entre a Rua do Diário de Notícias e o Häagen-Dazs, onde o mojito costumava deixar o olhar preso naquela vitrina onde ela sempre lhe sorria à passagem para o eléctrico que o levava até ao café na esplanada da Graça. O poeta, do cimo da estátua, testemunhou a atitude desajeitada daqueles dois. Envergonhados, trocaram rubores e confessaram-se entre contemplações que dispensaram promessas e sentenças. A bola de gelado nunca alimentara esperanças antes, sentia-se sempre desencorajada por ter interpretado mal o interesse de que tinha ouvido falar do mojito pela tosta de frango do Páginas Tantas. Mas tudo ficou desvendado. O mojito sossegou-a, garantiu-lhe que tudo não passava de uma velha amizade e até lhe falou de uma quente amiga nova, uma tosta de frango e banana no n.º 165 da Rua da Rosa, que ela também tinha de conhecer. Quer-me parecer que se vão dar bem, dizia-lhe. Não demorou muito até se envolverem na sempre amante noite de Lisboa até acabarem a ver nascer o sol no miradouro da Senhora do Monte. Efectivamente, a bola de gelado começara já há minutos a exibir um ar desesperado, mas era tarde. Os primeiros raios de sol da manhã, impiedosos e sem indulgências, derreteram-na e ela desapareceu por entre as pedras da calçada. Para o mojito, aquela amargura era fardo imenso e pouco mais resistiu ao dissabor daquela manhã. Num acto de cólera e desespero, duas noites a seguir, imiscuiu-se numa tertúlia do Bairro Alto e deixou-se beber.
quinta-feira, janeiro 19, 2006
Tecnicidades
Como gadget man que sou, e mesmo sem um post à mão, estava ansioso por experimentar esta nova maravilha da técnica que é a de escrever no blogue apenas com o Word. E debitada esta inútil prosa, atente-se na perturbadora curiosidade: uma frase em português, cinco estrangeirismos. ‘Tamos bonitos, ‘tamos!
quarta-feira, janeiro 18, 2006
Não, não sou egoísta (parte II)
… e mais! É de um desalento atroz aquela sensação de se estar a comer qualquer coisa – uma sandes, um bolo, vá lá – e quando oferecemos a alguém que esteja por perto, no mais autêntico, sublinhe-se, ALTRUÍSMO, recebemos por resposta vai comendo, que eu já provo. Ora, se dissecarmos o que sobrevive de numa situação destas, meus amigos, é muito simples. Continuamos a comer o que estamos a comer, sempre à espera que a pessoa que pode gozar do disponibilizado quinhão o faça a qualquer momento. E daí resulta uma ansiedade incomportável. Surge um sem número de perguntas a nós próprios. Ela [a pessoa] nunca mais prova. Se nunca mais pedir, guardo um bocadinho no fim? E de que tamanho?. Volto à carga e, perdendo a vergonha da minha ansiedade, pergunto Então? Sempre queres um bocadinho?. Ou comemos tudo e dizemos, no fim, Ai desculpa, pensei que já não quisesses!? Todo o processo de deleite fica imediatamente transformado numa gestão dos víveres que temos em mãos, num desassossego sem fim. Começamos a dar as mais pequenas dentadas possíveis para garantir sempre o tal restinho em tempo útil. E portanto, de hoje em diante, passei à prepotência do Se queres provar, é agora, que depois não há!.
sexta-feira, janeiro 13, 2006
Cada um bebe o que merece
Porque é que quando se vai a um restaurante e se pede as bebidas, quando alguém pede água os outros pensam logo que é para partilhar? Porque é que a água não pode ter o mesmo estatuto de uma cola, um sumo ou uma cerveja? Não é para partilhar. Não é uma garrafa de vinho tinto. A ÁGUA É MINHA. VOU BEBÊ-LA TODA!!! Mais, detesto ouvir pedir um quarto de água. O que é isso? Quero sempre 33 centilitros para cima.
segunda-feira, dezembro 26, 2005
O Natal foi bom
Foi ontem. Monte da Ravasqueira, tinto alentejano, 2004. Não conhecia. Qualquer comentário adicional é absolutamente desnecessário.
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