Quando damos por ela, já partilhamos o que juraríamos serem segredos só nossos. Mas, também, de que outro modo descobriríamos quem os entende?
quinta-feira, dezembro 20, 2007
Há 17 anos
segunda-feira, dezembro 17, 2007
Boa sorte com os palpites sobre o tempo que vai fazer amanhã
Quero aqui deixar duas felicitações. A duas casas que em Portugal têm desenvolvido uma arte de qualidade ímpar e que, efectivamente, não está ao alcance de qualquer artista. Duas instituições que devem ser perpetuadas e que decerto contribuem activamente para colocar Portugal no mapa da arte mundial.
Quero, por tudo isto, dar os meus parabéns ao Instituto de Meteorologia e à Autoridade Nacional de Protecção Civil. A primeira, faz-nos saber logo de manhã pelas notícias que está a chover quando lá fora faz sol e vice-versa. Acho que é arte, daquela de aplaudir. Já a Protecção Civil joga com a nobre arte do terror. É uma arte com uma esteticidade cromática, ainda por cima, porque atribui códigos de cor ao terror. Ele é alertas amarelos, laranja, enfim, um arco íris inteiro para criar um clima de ansiedade entre os seus públicos.
Desde quinta-feira que estão patentes na grande galeria pública os alertas amarelos e laranjas de frio para Lisboa. Que a capital iria ter temperaturas de 1º e etc., num registo muito pouco habitual para a região. Ora, que eu tenha lido posteriormente, parece que as mínimas até subiram, as máximas é que desceram, daí estarem 6º em Lisboa à hora a que faço esta postagem.
Hoje, as duas casas de artistas mantêm os seus alertas, numa espécie de um jogo de os manter até acertarem. O problema é que se não vier o frio que apregoam, os alertas vão continuar por aqui em Agosto. É que quando nevou em Lisboa há dois anos esqueceram-se de adivinhar tal coisa.
Lembram-se daqueles alertas fantásticos de mau tempo e tempestades em que depois não aconteceu nada? Pois é.
Já agora, vai estar muito vento em Lisboa amanhã, vejo eu aqui no mercado negro das previsões meteorológicas. Já avisaram a malta?
quinta-feira, dezembro 13, 2007
O longo percurso entre a anedota e a inteligência

Voltando à questão da inteligência, entre os pontos que revelam maior maturidade num comediante está a arte de saber parar, de saber respirar. Foi neste ponto que falhou Herman José, quem eu já considerei em outras fases da minha vida a grande referência do humor em Portugal. Creio, porém, que já nada poderá salvar esta figura, pelo que o mais sensato é ficarmo-nos pelos tesouros dos anos 80 e inícios de 90 que a RTP há-de ter guardados a sete chaves.
Já outro exemplo mostra bem a estratégia inversa: Jerry Seinfeld, que baseia o seu humor na pura observação do quotidiano da sociedade (o que requer o mais alto nível de inteligência possível), soube dizer NÃO. É conhecida a história do cachet milionário que o comediante rejeitou para continuar a sua famosa sitcom de televisão. Recusou para proteger a sua imagem. Alguns anos depois, está de volta como voz off num filme de animação. A ver vamos se não faz nódoa em branco linho.
O que me traz, em Portugal, aos Gato Fedorento. Pararam. Souberam dizer o NÃO. Souberam demonstrar níveis elevados de inteligência em todas as fases da carreira, misturando perspicácia com a genialidade do nonsense britânico dos anos 70, e agora, mais uma vez, jogam a carta certa. Hão-de regressar saudosos, desejados e prontos para nova astúcia. Porém, é necessário que esta estratégia esteja concertada com a Comunicação Social. A capa de hoje da revista Visão é mais uma em poucas semanas a encher-nos de Gato Fedorento, Gato Fedorento e Gato Fedorento. Protegem os comediantes o que a imprensa desgasta. E talvez esteja na altura de parar também por aqui.
terça-feira, dezembro 11, 2007
segunda-feira, dezembro 10, 2007
A verdade sobre rodas
Sabem muito, estes taxistas. Tenho de apanhar mais taxis para me desvendarem mistérios assim.
sexta-feira, dezembro 07, 2007
Coração soprado
Foi uma corrida, um triatlo, um triângulo, como quiserem chamar-lhe. Em menos de um mês, três concertos. Vanessa da Mata, Jorge Palma e, ontem, Clã. Foi por ordem crescente de qualidade, digo eu. Aos primeiros sinais da Vanessa ponho o rádio mais alto, nos trabalhos do Jorge revejo-me, mas os Clã sopram-me ao coração. Ontem, sem dúvida, sopraram-me ao coração. Sobretudo no momento que aqui partilho:
Sobressaltos no meu lado esquerdo
Ao longo da vida, muitas são as partidas que nos são pregadas pelo nosso lado esquerdo. Os Clã são, cada vez mais, cúmplices dos sobressaltos com que o meu lado esquerdo me tem mimoseado nos anos ainda mal enterrados na memória. Os Clã conhecem-me. Só posso acreditar nisso, porque no seu álbum mais recente, Cintura, há uma música que afianço ter sido escrita para mim. Esta é para o Ricardo, celebraram quando acabaram de compôr o Sexto Andar. Ontem fui vê-los na Aula Magna, em Lisboa. Manuela Azevedo pegou no microfone, virou-se para mim e explicou-me que a música até esteve quase para não ser gravada, porque ia-se perdendo entre bits e bytes que um dia acharam que se poderiam evadir de um computador. Ontem, os Clã tocaram-na, a minha música, aquela que foi feita para mim. Partilho-a convosco.
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Quem usa casaco pelos ombros não usa relógios bonitos
Isto tudo para dizer o quê? Que, pelo inverso, eu deveria nutrir alguma empatia com pessoas de bom gosto, nomeadamente pessoas que usam relógios fabulosamente bonitos. Ou seja, quem usa casaco pelos ombros não usa relógios bonitos.
Se há algo em que reparo sempre em alguém, seja num jantar, reunião ou num simples aperto de mão, é no relógio. Considero esta subdivisão do vestuário uma das mais importantes e consideráveis marcas de imagem de alguém. Gosto de relógios, gosto de exibir sempre o que tenho no pulso e nunca deixo de espreitar os relógios alheios seja em que situação for. Ora, deveria então, por contraponto à história do casaco, simpatizar de uma forma imediata e automática com quem exiba um magnífico relógio. Pois que aprendi hoje que não deveria fazê-lo.
segunda-feira, dezembro 03, 2007
Genialidade sem preço
O primeiro passo foi dado para juntarmos o melhor de dois mundos. Quando os Radiohead disponibilizaram, em Outubro, o mais recente álbum numa inovadora modalidade de pay-what-you-want, a estalada sem mão às editoras pareceu fatal. Enquanto muitos músicos, sobretudo norte-americanos, se manifestam em desagrado perante os elevados preços dos discos, contestando a chulice das grandes labels que insistem na ganância, os britânicos liderados por Thom Yorke passaram à acção e começaram uma caminhada para provar como se pode fazer chegar aos fãs boa qualidade sem que estes tenham de pagar caro por isso.
Como seria de esperar, a guerra não tardou. Soube-se hoje que os Radiohead, tal como o Prince – que distribuiu o seu último álbum com um jornal inglês –, não vão ver os seus nomes entre os candidatos aos Brit Awards, uma vez que não seguiram as regras. Posso, no entanto, adivinhar o que se poderá passar agora com os Radiohead: In Rainbows, o álbum de que estamos a falar, é um dos mais belos e geniais trabalhos musicais das últimas muitas décadas. A banda de Thom Yorke provou que consegue superar-se a si própria e produziu aquele que em poucos dias se tornou nos álbuns mais ouvidos por mim de entre toda a minha colecção acumulada ao longo de anos. Riem-se as editoras, porque a estratégia de pay-what-you-want dos Radiohead revelou-se um tremendo fracasso – 62% dos downloaders não pagaram um tostão pelo trabalho. Mas creio que ri melhor quem ri por último quando se fizerem as contas às receitas dos concertos de uma (ainda não anunciada) tournée que já gera muitas ansiedades.
Até lá, deliciemo-nos com o que temos:
sexta-feira, novembro 30, 2007
País de merda
O Presidente da Assembleia da República e os deputados adeptos do Benfica juntaram-se ontem num jantar abastecidos de cachecóis e camisolas oficiais do clube. O repasto teve também à mesa Luís Filipe Vieira e Petit, que presentearam Jaime Gama com uma camisola oficial. Creio que pouco mais será necessário dizer para justificar o título deste post.
Revolução, parte II
Bom... poucas horas depois, cá vai a primeira correcção ao post anterior. Já me vieram dizer que o Luís Nazaré limitou-se a aprovar o nome Phone-ix, que a ideia nem lhe passava pela cabeça. Ainda assim, aceitar tal ousadia para os CTT já é meritório. Digo eu.
quinta-feira, novembro 29, 2007
Uma revolução, foda-se!
Posso ser eu que sou obtuso, já não ponho de parte essa hipótese. As discussões com os meus colegas de trabalho – para que conste, sector da comunicação, branding e essas coisas todas que dão nome e sucesso às empresas – têm sido em tom mais elevado ultimamente desde que decidi defender com unhas e dentes a genial ideia do nome do novo operador móvel dos CTT. Phone-Ix. Para vos ser sincero, gostaria de ter sido eu o autor. Orgulhar-me-ia disso.
Recentemente passou-me pelas mãos o desafio de aliar a palavra Revolução à comunicação. Fi-lo de uma forma sincera e nada forçada no sentido em que a comunicação esgota-se, por vezes, de tal forma que só mesmo fazendo uma revolução na forma de passar a mensagem se consegue eficiência neste campo. Foi isso que os CTT fizeram. Folgo em ver que uma empresa com todo o peso institucional que é apanágio de quem está sob os cordelinhos estatais foi capaz de ousar, criando uma Revolução na sociedade e, pelo que já se constou, nos públicos internos da empresa de Correios, Telégrafos e Telefones.
Defendo a marca Phone-Ix porque acho-a perfeita para o público-alvo que procura. Defendo-a mesmo antes de conhecer o seu racional – porque decerto terá um – e mesmo sabendo que corro o risco de nunca mais me considerarem numa reunião de brainstorming para um naming de um cliente meu.
Disseram-me que a defendo porque não tenho filhos, porque de outra forma não pensaria assim. Lamento, mas ainda assim gostaria de dar os meus parabéns ao Luís Nazaré. Tive oportunidade de conhecê-lo pessoalmente enquanto jornalista e sei como pensa e como as suas ideias poderiam ser replicadas em outros organismos para dar cabo das traças e do cheiro a mofo que se sente ao abrir da porta de uma instituição estatal deste país.
sexta-feira, novembro 23, 2007
Orgulho quê?
Ora começo este post por reconhecer que ao escrevê-lo posso estar a cair no logro. Ou seja, como provavelmente terá sido a intenção de quem idealizou esta campanha, ao criticá-la vou contribuir para lhe dar asas publicitárias. Mas quanto a isso não há volta a dar, portanto...
Refiro-me à novíssima campanha da cerveja Tagus, que assenta a sua comunicação na criação de uma comunidade heterossexual. Obviamente que não foi com demora que a primeira queixa caiu no Instituto Civil da Autodisciplina da Publicidade, vinda podemos adivinhar de quem.
Para a Sumol, esta campanha assinada pela Lowe & Partners vai, de uma forma disruptiva, baralhar alguns dos clichés existentes na sociedade e criar uma comunidade que se orgulha de ser heterossexual. Pois, está muito bem, mas para mim continuará a não ser mais do que uma campanha de um abstruso mau gosto.
Mas há que ver as coisas pelos dois lados. Imbecilidade por imbecilidade, creio que as chamadas paradas de orgulho gay, ainda pouco ou nada frequentes em Portugal, criam aquilo a que se chama uma situação de telhados de vidro, ainda que defenda que a comunicação da Tagus não deva, por isso, ir tão baixo.
Portanto, e para todos, curem-se lá da idiotia aguda e orgulhem-se lá então disso.
quinta-feira, novembro 22, 2007
quarta-feira, novembro 21, 2007
Há muito que não vou a um concerto teu, Jorge

Escrevo-te esta carta aberta porque fui ontem ver um concerto teu. No Coliseu de Lisboa. Queria começar por te dizer que gostei muito e que continuo a achar-te uma referência da música portuguesa. Mereces a casa cheia que ontem te recebeu e muito mais.
Mas peço-te também que me perdoes o egoísmo. Passo a explicar: este não é o teu concerto que eu queria ver. Saí da sala, depois do espectáculo, a pensar isto não é um concerto do Jorge. Um concerto teu, desculpa lá que te diga, tem de ser muito mais intimista e informal, porque seria o que bateria certo com a proximidade que consegues de quem gosta de te ouvir.
Lembras-te, uma vez, de quando tocaste no extinto Ritz Club, ali ao pé da Praça da Alegria, em Lisboa? Quando te sentaste ao piano e, lá de cima, do palco, dialogavas connosco como se estivesses em tua casa? Nós pedíamos e tu tocavas. Não me conheces de lado nenhum, mas naquela noite – desculpa lá, não me lembro da data – parecíamos todos um grupo de amigos que se conheciam há muito tempo. Ouvíamos-te, provocávamos-te e tu regias e respondias. Acompanhávamos-te com uma cerveja nas mãos, entre bafos de um inocente porro e quando terminaste o teu espectáculo desceste do palco e vieste beber uma cerveja connosco. Ora aqui está uma bela memória que tenho de um espectáculo teu, também de casa cheia, embora à sua maneira, aquela maneira bem especial do velho Ritz que tenho a certeza de que te lembras bem.
Então e o Johnny Guitar? Recordas-te? Palma’s Gang no Johnny Guitar. Eh pá, que fixe que foi!
Mas deixa-me falar-te então um bocadinho do teu concerto de ontem. Fiquei feliz por ver que aquele espírito que é teu apanágio se mantém. Trocaste três ou quatro piadas com o público, improvisaste no piano e tentaste não seguir regras. Pelo menos tentaste. E é isso que se espera de ti. Mas eu não tinha uma cerveja na mão, porque não se podia. Não podia levantar-me do meu lugar e andar livremente na sala, porque não se podia. Só nos podíamos levantar e sentar quando uns senhores maus que por lá andavam nos deixavam. Fiquei sentadinho e quietinho a ouvir-te tocar, muito pouco descontraído.
Vês a foto que junto a este post? Foi tirada a medo, por isso ficou assim. Eu sei que as regras dizem que não se pode fotografar. Mas que mal poderá fazer uma inocente foto feita com um telemóvel sem qualidade? Não é por isso que te roubamos a alma ou deixamos de proteger a tua imagem. Mas os senhores maus pareciam uns falcões, distribuindo reprimendas por quem se portasse mal.
Desculpa-me a franqueza, Jorge, mas tenho saudades de um concerto teu. Um concerto a sério. Há muito tempo que não vou a um concerto do Jorge.
Um grande abraço deste que te estima. Vamo-nos vendo por aí, pá.
sexta-feira, novembro 16, 2007
Noite grande em Lisboa
Foi, posso garantir-vos, uma grande noite. Foi ontem, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Faltou a senhora descolar-se um pouco mais das suas versões de estúdio, algo que faz sempre muita falta num concerto. Ainda assim, foi muito bom.
terça-feira, agosto 28, 2007
Alguém pediu...
... o verdadeiro artista português? De si, todo o video é já uma obra-prima, de qualidade internacional. Mas peço particular atenção para os passos de dança durante o instrumental e, como cereja no topo, o comentário do senhor, já quase no fim, quando larga um foguete para o ar.
Há mais de onde isto veio. Basta procurar Eduardo Mourato no youtube.com.
sexta-feira, agosto 24, 2007
100.º post
quinta-feira, agosto 23, 2007
Pérolas... de porcos
terça-feira, agosto 21, 2007
Nem mais...
sábado, agosto 18, 2007
Animais, inúteis parasitas!
quarta-feira, maio 23, 2007
Agora vai ser como se não houvesse amanhã
terça-feira, maio 15, 2007
Há quem goste de me fazer rir
segunda-feira, maio 14, 2007
A barreira da educação
Mas tudo isto para dizer o quê? Que as campanhas cada vez mais assentam na necessidade de embelezar estatísticas que façam com que um Governo fique bem na fotografia europeia. Campanhas de sensibilização rodoviária para reduzir o número de acidentes (quando o Governo é um dos principais culpados da sinistralidade); campanhas para separação dos lixos, campanhas para pedir factura e combater a evasão fiscal, etc., etc.
Na semana passada, numa sessão de blog zapping, fui parar ao blogue de um dos autores de um filme que me chamou a atenção para esta questão. Num pequeno trabalho de quase quatro minutos e para o qual não terá sido necessário gastar muito dinheiro, faz-se o que ainda não vi campanha nenhuma fazer. Limito-me a partilhar aqui convosco a pequena (grande) produção que reclama civismo numa das questões onde este mais escasseia em Portugal. Só que, lá está, para quê fazer campanhas sobre este assunto se depois o potencial retorno nada tem para mostrar de bonitinho em termos estatísticos?
Subscrevo inteiramente as preocupações de Ana Sofia Moutinho, Catarina Mendonça, David Silva, Marina Fernandes e Pedro Morgado. Fica aqui o meu contributo para motivar o combate a um problema que não é exclusivo de Braga (onde nasceu este projecto), mas que é um cancro do país inteiro. Senhoras e senhores, As Barreiras não se Desculpam, Evitam-se.