segunda-feira, fevereiro 18, 2008

O Pedro e o Lobo

Não é a primeira vez que falo neste assunto, mas eu sou assim, teimoso. A Autoridade Nacional para a Protecção Civil adora brincar com os alertas que vemos aqui ao lado. Ele é laranja, ele é amarelo, por tudo e por nada. Desta vez talvez até houvesse razão para um desses avisos coloridos que vivem para ser comentados à mesa do café de bairro, mas a verdade é que o primeiro comunicado da ANPC sobre a chuva intensa que se fez sentir esta madrugada em Lisboa data de hoje, às 13h45, fazendo então as suas recomendações de protecção. Já o Instituto de Meteorologia tinha dito que "o pior já passou".

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Há horas próprias para tudo

Alguém, por favor, explique aos senhores editores da TSF que às 9h45 da manhã não é hora para se ouvir descrições detalhadas sobre a alheira de caça de Trás-os-Montes, de todos os mais pequenos pormenores das receitas com presunto de porco preto e da confecção e preparação ingrediente a ingrediente dos mais tenros pastéis de não sei o quê. Tenho para mim que, todos os dias e à mesma hora, este não é o conteúdo de rádio mais apetecido para o pára-arranca do trânsito da manhã. Prefiro, sinceramente, que me desassosseguem com os pré-avisos de recessão da economia norte-americana, com o trambolhão da bolsa e com o estudo encomendado ao LNEC para a terceira travessia do Tejo.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Os resguardados

Não dou o meu tempo por perdido no debate de ontem, que, aliás, soube a pouco. Mas confesso-me desiludido. Bem sei que para Luís Paixão Martins a tarefa não iria ser fácil, porque cabia-lhe o papel de defender-se de um argumentário que, todos sabíamos, iria resguardar-se no que aparenta ser o mais correcto para quem está de fora do fenómeno fonte/jornalista. É muito fácil dizer que um consultor de comunicação tem o papel de reduzir informação objectiva a soundbytes, forçando os destinatários a consumir informação enviesada. Parece-me demasiada certeza para quem garante nunca ter trabalhado com um consultor de comunicação. Tal como com a experiência que permite a um padre dar aconselhamento sobre matrimónio, Pacheco Pereira opina com uma interessante segurança sobre o que, diz ele, nunca quis ter por perto.
Já se percebe que "facção" defendo, está bom de ver. Por isso esperava mais de um Luís Paixão Martins que permitiu que os raciocínios que partilha connosco no seu blogue tivessem sido usados contra si. Ter-se-á esquecido que Pacheco Pereira é dos líderes de opinião mais inteligentes no uso da palavra e, em momentos de insegurança, resguardou-se no seu sentido de humor, efectivamente brilhante. O post de LPM sobre a necessidade de serviços de comunicação de Pedro Santana Lopes é claríssimo. Perante um Pacheco Pereira que fingiu não ter percebido o seu significado, Paixão Martins não soube defender-se da forma mais esperada, criando-se um sistema em que quem fala por último fica com a (aparente) razão. Um discurso de brincalhão a puxar à gargalhada da audiência não chega para destronar um Pacheco Pereira resguardado numa demagogia fácil de defender. Luís Paixão Martins esqueceu-se que o trabalho mais difícil iria ser o seu.
Tenho pena. Fico-me então pela versão escrita de Luís Paixão Martins, que me parece mais coerente no raciocínio e em bastante maior sintonia com o meu conceito de consultoria de comunicação.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Serei visionário?

Segundo a imprensa económica de hoje, Jerôme Kerviel, corretor do Société Générale responsável pela maior fraude de sempre, disse às autoridades francesas que o banco foi "complacente" com as suas práticas "enquanto estivémos a ganhar". Esta estratégia do estilo eu enterro-me mas vocês vão comigo tem uma razão de ser e – cá vamos nós ao Barings Bank – não é inédita. Repare-se no pormenor do plural em enquanto estivémos a ganhar.

terça-feira, janeiro 29, 2008

(Não) sei bem o que andaste a fazer

Voltamos à mesma conversa. Enquanto Nick Leesons e Jerome Kervials desta vida vão "enganando" sem acidentes de percurso bancos mesmo por entre complexos sistemas de segurança onde dificilmente algo passa despercebido, tudo permanece normal. Há uma espécie de sei bem o que andas a fazer, mas eu não quero saber. O escândalo, naturalmente, só se torna impactante quando uma inconveniente faísca de curto-circuito da economia mundial atira para prejuízos de milhares de milhões de dólares um investimento que até parecia bem feito. Nestas alturas, tudo o que é necessário colocar em cima da mesa é um culpado. Por isso não se espante o presidente do Société Générale de estar agora a ser alvo de pressões do governo francês. Contudo, a replicar-se a falência do Barings de há 13 anos, são os accionistas que ficam a arder.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Snob

Devagarinho, vou fazendo a experiência. Regresso de vez em quando aos sítios onde seria impossível não me cruzar com as tertúlias com cheiro a redacção. Para ser franco, nem imagem faço do jornalismo da máquina de escrever, já apanhei o computador. Pus os meus pés pela primeira vez numa redacção poucos dias depois de o Ricardo de Saavedra me ter afiançado Puto, a partir de segunda-feira estás aqui às 10h30 para seres jornalista. Em Janeiro de 1992 lá estava eu no Diário de Notícias a tirar fotocópias e pouco mais numa tarefa que me preenchia de orgulho e, sabe-se lá com que intuito, já me permitia dizer do topo dos meus 35 mil escudos mensais entre amigos Eu sou jornalista. Tinham sido para isso mesmo os estudos, era esse o meu objectivo, embora a minha primeira carteira profissional (antes da suspensão do mítico documento) tivesse chegado apenas em Setembro desse ano, um cartãozito mal engendrado dentro de um plástico manhoso que me fez esperar um ano pelo "definitivo" caderninho de capa preta com letras douradas a proteger a lenga-lenga dos meus direitos e deveres profissionais.
Mas, voltando aos pontos de tertúlia "redaccionária", ontem repeti um gesto bem à moda antiga: fui ao snob comer um bife. Não, não estou a ser invadido por nostalgias jornaleiras, mas notei bem as diferenças. Não conheci mais do que uma ou duas alminhas presentes, o bife já não é assim tão bom e em vez de lá ir com a rapaziada de outros tempos fui apresentar este espaço de culto da ex-noite de Lisboa a um "cúmplice" da minha nova actividade profissional. Lembro-me de ter comentado, às tantas, que não me recordo se esta sala era assim.
Então sim, já com um pouco de nostalgia, lembro-me agora que "conto" histórias até a quem me ensinou a ser jornalista, recordo-me do Luís Paixão Martins como a fonte da minha primeira história alguma vez publicada (creio que ao fim de 16 anos já não haverá problema em revelar fontes sobre uma tal de "Construções Técnicas, S.A.") e faço a vénia aos inúmeros corretores que de vez em quando me explicavam porque é que tantas mil acções da empresa X ou Y passavam daqui para ali e para estar com atenção aos próximos dias.
Hoje faço gestão de comunicação e os meus "novos" destinatários vão seguramente comer o bife para outras paragens. Mas um dia destes, garanto, lá estarei de novo a degustar a vazia do snob.
Já agora, ainda que não tenha nada a ver com o assunto, vou ser pai em Julho.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Mas que parvoice!

Notícia de hoje recheada de terror, medo e, sobretudo, muitos filmes estúpidos de domingo à tarde para todos os gostos: Telheiras: saco suspeito encontrado no metro não continha explosivos. O saco suspeito encontrado esta manhã na estação de Telheiras do Metropolitano de Lisboa continha material electrónico mas nenhum explosivo, adiantou o comando metropolitano da PSP. O incidente obrigou à suspensão da circulação em toda a Linha Verde do metro durante duas horas e meia. Em declarações aos jornalistas, a subcomissária Paula Monteiro explicou que o saco que a equipa de inactivação de explosivos detonou, cerca das 13h30, continha fios, discos e aparelhagem electrónica. O saco estava coberto com um lenço árabe, o que ajudou a levantar suspeitas sobre o seu conteúdo, confirmou a porta-voz.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Nova lei anti-não fumador

Não sou fumador e por isso, meus amigos, posso dizer-vos que nunca fui tão incomodado pelo fumo como agora, com a nova e brilhante legislação, fruto de iluminado génio a quem lhe falta umas boas ofensas verbais e corporais. Desde que saiu a nova lei que sou obrigado a atravessar autênticos clusters de fumo condensado que tornam pior a emenda do que o soneto. É o que acontece quando se entra ou sai de um centro comercial ou de uma empresa qualquer: o contacto entre o mundo interior e exterior faz-se por uma densa parede de fumo que há que atravessar em passo ligeiro e de respiração sustida.
Outra coisa que me anda a provocar micoses é a merda que são agora os outrora salutares convívios durante uma refeição em restaurante. Ou sou obrigado a ir para uma sala onde o nevoeiro convida o D. Sebastião a regressar da posição de gatas em que se diz ter sido sodo... "trespassado" em Alcácer Quibir ou terei de assistir ao degradante espectáculo dos meus convivas a engolirem de uma só garfada o que têm no prato para irem chupar nicotina como se não houvesse amanhã, deitando de rastos qualquer cavaqueira, quer das amenas, quer das outras.
Ora, a isto tudo soma-se o mau humor com que os portugueses se têm presenteado entre si desde o início do ano e posso dizer-vos com franqueza: se vejo na rua o cabrão que inventou esta lei, galgo o passeio com o carro.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Este post...

... serve para vos dizer que hoje assumidamente não haverá post. Nos outros dias em que não há post é por falta de tempo ou por não me ocorrer nada para dizer. Hoje é apenas porque é mau dia, porque coisas para dizer não faltam.

Um grande bem haja.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Entrada de joelhos

Limito-me, pois, a transcrever a citação de José Castelo Branco na edição desta semana da Lux sobre o reveillon dos "famosos": À meia-noite estava de joelhos a rezar o Pai Nosso, em pura oração pela paz no mundo.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Mostra-me o teu iPod, dir-te-ei quem és II

Para qualquer referência sobre mim, eis o meu iPod:

Radiohead;

dEUS;

David Byrne (mais do que Talking Heads);

Dianne Reeves;

Lisa Ekdhal;

Pearl Jam;

Zero 7;

Lamb;

Morcheeba;

Doors;

R.E.M.;

Silje Nergaard;

Tom Waits;

Clã;

Jorge Palma;

Ben Harper;

Caetano Veloso;

Belle and Sebastian;

Arcade Fire;

(...)

Mostra-me o teu iPod, dir-te-ei quem és

edição de Janeiro de 2008 da revista SuperInteressante publica um artigo que se me afigura como um dos mais interessantes que tive oportunidade de ler nos últimos anos. Costumo ser muito céptico em relação a conclusões científicas avulsas, dessas que dizem que daqui a X anos vai acontecer aquilo e aqueloutro com o clima, por exemplo, mas neste caso a proximidade das conclusões aos casos reais que me estão próximos são impressionantes.
Reza o artigo, e aqui não há novidade, que há uma estreita relação entre a personalidade e os gostos musicais. Mas aprofundados os estudos de neuromúsica temos então o seguinte:
A

Jazz e Blues - Agradam a pessoas inteligentes, abertas e imaginativas, pouco adeptas do desporto, tolerantes e liberais;

Pop e country - Pessoas mais convencionais e optimistas;

Heavy Metal - Associado a pessoas curiosas, atléticas e habituais cabecilhas sociais;

Hip-hop e funcky - Extroversão, energia, elevada auto-estima;

Apreciadores de Madonna ou a banda sonora de Danças Com Lobos - Pessoas conservadoras, endinheiradas, agradáveis e emocionalmente instáveis;

Ópera e música clássica - Nível superior de educação, mas péssimos condutores, verdadeiros perigos ao volante. Preferem vinho à cerveja;

Dance e house - Os apreciadores destes estilos costumam viajar com frequência;

Amantes de rock e pop dos anos 60 - Franja mais atingida pelo desemprego, mas os psicólogos desvalorizam esta relação devido à faixa etária;

Filmes musicais - Raramente tocam em álcool.

Há mais. Porém, interessantes são ainda outras conclusões como o facto de os apreciadores de música DJ, hip-hop, dance e house terem propensão para serem solteiros, mas quando arranjam uma relação estável passam a gostar de country, blues, pop e música clássica.

Um estudo feito sobre um distúrbio mental de um italiano de 68 anos (demência fronto-temporal) descobriu durante o processo que o paciente abandonara, subitamente, o hábito de ouvir música clássica para escutar no volume mais alto possível um conhecido cantor pop italiano cujas canções lhe tinham sempre merecido o epíteto de ruído de merda.

Portanto, em futuros conhecimentos, sejam de negócios ou outros, peçam sempre uma consulta ao iPod.

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Nome: Larry Stewart, Pai Natal para os amigos

Esta história resume-se em poucas linhas, mas, ainda assim, é uma história grande, grande. Durante 25 anos, Larry Stewart distribuiu anonimamente presentes e dinheiro pelas ruas de Kansas, nos EUA, entre os mais desfavorecidos. Um homem de negócios, um gestor que entendeu dar bom seguimento aos seus lucros. Este homem morreu em Janeiro de 2007, vítima de cancro, um mês depois de, pela primeira vez, alguém ter sabido a identidade deste “Pai Natal Secreto” que distribuiu na rua mais de 1,3 milhões de dólares.
Tudo indicava, portanto, que a história acabaria assim, sem que muitos pelo mundo a conhecessem. Porém, chegados estes dias, a obra de Larry Stewart mantém-se: há um seguidor, um outro “Pai Natal Secreto” que este ano distribuiu notas de cem dólares e outros presentes pelo Kansas. Nas notas de dinheiro constava apenas um carimbo a vermelho com o nome de Larry: Larry Stewart: Secret Santa, pode ler-se. Mas pouco mais se sabe sobre o novo benfeitor.
Esta história atingiu proporções tais que foi já criado um site de recrutamento de Pais Natais secretos para que a iniciativa se espalhe pelo mundo.
Anti-americanismos à parte, recomendo vivamente uma visita a http://www.secretsantaworld.net/ e partilho convosco esta reportagem que tanto diz, feita pela cadeia de televisão KMBC-TV, do Kansas.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Há 17 anos

Bem sei que os videos do YouTube são a melhor bengala do blogger, por isso começo por pedir desculpa pelo exagero do recurso a esta ferramenta no remenor. No entanto, há videos que são documentos perfeitos do que de bom se fez em Portugal. Num post muito recente fiz referência a um Herman José de outros tempos. Ontem comprei a Time Out, que esta semana vem acompanhada do bom e velho Crime na Pensão Estrelinha em DVD, um dos célebres programas de fim-de-ano do canal 1 da RTP (1990/91).
Em conversa com uma amiga sobre essa preciosidade, surgiu à memória este grande momento de televisão que se pode ver neste video:



Obrigado Irina por mo lembrares.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Boa sorte com os palpites sobre o tempo que vai fazer amanhã

Quero aqui deixar duas felicitações. A duas casas que em Portugal têm desenvolvido uma arte de qualidade ímpar e que, efectivamente, não está ao alcance de qualquer artista. Duas instituições que devem ser perpetuadas e que decerto contribuem activamente para colocar Portugal no mapa da arte mundial.
Quero, por tudo isto, dar os meus parabéns ao Instituto de Meteorologia e à Autoridade Nacional de Protecção Civil. A primeira, faz-nos saber logo de manhã pelas notícias que está a chover quando lá fora faz sol e vice-versa. Acho que é arte, daquela de aplaudir. Já a Protecção Civil joga com a nobre arte do terror. É uma arte com uma esteticidade cromática, ainda por cima, porque atribui códigos de cor ao terror. Ele é alertas amarelos, laranja, enfim, um arco íris inteiro para criar um clima de ansiedade entre os seus públicos.
Desde quinta-feira que estão patentes na grande galeria pública os alertas amarelos e laranjas de frio para Lisboa. Que a capital iria ter temperaturas de 1º e etc., num registo muito pouco habitual para a região. Ora, que eu tenha lido posteriormente, parece que as mínimas até subiram, as máximas é que desceram, daí estarem 6º em Lisboa à hora a que faço esta postagem.
Hoje, as duas casas de artistas mantêm os seus alertas, numa espécie de um jogo de os manter até acertarem. O problema é que se não vier o frio que apregoam, os alertas vão continuar por aqui em Agosto. É que quando nevou em Lisboa há dois anos esqueceram-se de adivinhar tal coisa.
Lembram-se daqueles alertas fantásticos de mau tempo e tempestades em que depois não aconteceu nada? Pois é.

Já agora, vai estar muito vento em Lisboa amanhã, vejo eu aqui no mercado negro das previsões meteorológicas. Já avisaram a malta?

quinta-feira, dezembro 13, 2007

O longo percurso entre a anedota e a inteligência


Como em tudo e em todas as profissões, também na comédia há os mais e os menos inteligentes. Tenho para mim que para se ser um bom comediante a inteligência é um imperativo. Os meus amigos com maior sentido de humor são, simultaneamente, os mais inteligentes, e essa relação não é à toa, contrastando com os idiotas que contam anedotas e que se acham engraçados por isso. A anedota é, basicamente, a bengala de quem não sabe fazer mais e está, regra geral, associada aos níveis mais básicos de maturidade intelectual.
Voltando à questão da inteligência, entre os pontos que revelam maior maturidade num comediante está a arte de saber parar, de saber respirar. Foi neste ponto que falhou Herman José, quem eu já considerei em outras fases da minha vida a grande referência do humor em Portugal. Creio, porém, que já nada poderá salvar esta figura, pelo que o mais sensato é ficarmo-nos pelos tesouros dos anos 80 e inícios de 90 que a RTP há-de ter guardados a sete chaves.
Já outro exemplo mostra bem a estratégia inversa: Jerry Seinfeld, que baseia o seu humor na pura observação do quotidiano da sociedade (o que requer o mais alto nível de inteligência possível), soube dizer NÃO. É conhecida a história do cachet milionário que o comediante rejeitou para continuar a sua famosa sitcom de televisão. Recusou para proteger a sua imagem. Alguns anos depois, está de volta como voz off num filme de animação. A ver vamos se não faz nódoa em branco linho.
O que me traz, em Portugal, aos Gato Fedorento. Pararam. Souberam dizer o NÃO. Souberam demonstrar níveis elevados de inteligência em todas as fases da carreira, misturando perspicácia com a genialidade do nonsense britânico dos anos 70, e agora, mais uma vez, jogam a carta certa. Hão-de regressar saudosos, desejados e prontos para nova astúcia. Porém, é necessário que esta estratégia esteja concertada com a Comunicação Social. A capa de hoje da revista Visão é mais uma em poucas semanas a encher-nos de Gato Fedorento, Gato Fedorento e Gato Fedorento. Protegem os comediantes o que a imprensa desgasta. E talvez esteja na altura de parar também por aqui.

terça-feira, dezembro 11, 2007

segunda-feira, dezembro 10, 2007

A verdade sobre rodas

Cá para mim, aquilo do Saddam não era ele. Aquilo foi uma jogada qualquer dos americanos, porque o Saddam não se deixaria apanhar assim, ‘tá a ver? Atão um gajo que era rei de um país ia assim enfiar-se num buraco com uma mala cheia de dinheiro? Os americanos fingiram aquilo tudo, ‘tá a ver? O verdadeiro Saddam ainda está vivo.
Sabem muito, estes taxistas. Tenho de apanhar mais taxis para me desvendarem mistérios assim.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Coração soprado

Foi uma corrida, um triatlo, um triângulo, como quiserem chamar-lhe. Em menos de um mês, três concertos. Vanessa da Mata, Jorge Palma e, ontem, Clã. Foi por ordem crescente de qualidade, digo eu. Aos primeiros sinais da Vanessa ponho o rádio mais alto, nos trabalhos do Jorge revejo-me, mas os Clã sopram-me ao coração. Ontem, sem dúvida, sopraram-me ao coração. Sobretudo no momento que aqui partilho:

Sobressaltos no meu lado esquerdo

Ao longo da vida, muitas são as partidas que nos são pregadas pelo nosso lado esquerdo. Os Clã são, cada vez mais, cúmplices dos sobressaltos com que o meu lado esquerdo me tem mimoseado nos anos ainda mal enterrados na memória. Os Clã conhecem-me. Só posso acreditar nisso, porque no seu álbum mais recente, Cintura, há uma música que afianço ter sido escrita para mim. Esta é para o Ricardo, celebraram quando acabaram de compôr o Sexto Andar. Ontem fui vê-los na Aula Magna, em Lisboa. Manuela Azevedo pegou no microfone, virou-se para mim e explicou-me que a música até esteve quase para não ser gravada, porque ia-se perdendo entre bits e bytes que um dia acharam que se poderiam evadir de um computador. Ontem, os Clã tocaram-na, a minha música, aquela que foi feita para mim. Partilho-a convosco.


quarta-feira, dezembro 05, 2007

Quem usa casaco pelos ombros não usa relógios bonitos

Ele há coisas do diabo. Há sinais em certas pessoas com os quais embirro olimpicamente. Já o disse aqui no Ré Menor, não consigo cultivar confiança ou simpatia em relação a pessoas que usam o casaco pelos ombros sem enfiar os braços nas mangas. Esse obscuro e impenetrável hábito sempre me intrigou desde muito cedo.
Isto tudo para dizer o quê? Que, pelo inverso, eu deveria nutrir alguma empatia com pessoas de bom gosto, nomeadamente pessoas que usam relógios fabulosamente bonitos. Ou seja, quem usa casaco pelos ombros não usa relógios bonitos.
Se há algo em que reparo sempre em alguém, seja num jantar, reunião ou num simples aperto de mão, é no relógio. Considero esta subdivisão do vestuário uma das mais importantes e consideráveis marcas de imagem de alguém. Gosto de relógios, gosto de exibir sempre o que tenho no pulso e nunca deixo de espreitar os relógios alheios seja em que situação for. Ora, deveria então, por contraponto à história do casaco, simpatizar de uma forma imediata e automática com quem exiba um magnífico relógio. Pois que aprendi hoje que não deveria fazê-lo.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Genialidade sem preço

O primeiro passo foi dado para juntarmos o melhor de dois mundos. Quando os Radiohead disponibilizaram, em Outubro, o mais recente álbum numa inovadora modalidade de pay-what-you-want, a estalada sem mão às editoras pareceu fatal. Enquanto muitos músicos, sobretudo norte-americanos, se manifestam em desagrado perante os elevados preços dos discos, contestando a chulice das grandes labels que insistem na ganância, os britânicos liderados por Thom Yorke passaram à acção e começaram uma caminhada para provar como se pode fazer chegar aos fãs boa qualidade sem que estes tenham de pagar caro por isso.

Como seria de esperar, a guerra não tardou. Soube-se hoje que os Radiohead, tal como o Prince – que distribuiu o seu último álbum com um jornal inglês –, não vão ver os seus nomes entre os candidatos aos Brit Awards, uma vez que não seguiram as regras. Posso, no entanto, adivinhar o que se poderá passar agora com os Radiohead: In Rainbows, o álbum de que estamos a falar, é um dos mais belos e geniais trabalhos musicais das últimas muitas décadas. A banda de Thom Yorke provou que consegue superar-se a si própria e produziu aquele que em poucos dias se tornou nos álbuns mais ouvidos por mim de entre toda a minha colecção acumulada ao longo de anos. Riem-se as editoras, porque a estratégia de pay-what-you-want dos Radiohead revelou-se um tremendo fracasso – 62% dos downloaders não pagaram um tostão pelo trabalho. Mas creio que ri melhor quem ri por último quando se fizerem as contas às receitas dos concertos de uma (ainda não anunciada) tournée que já gera muitas ansiedades.

Até lá, deliciemo-nos com o que temos:

sexta-feira, novembro 30, 2007

País de merda

O Presidente da Assembleia da República e os deputados adeptos do Benfica juntaram-se ontem num jantar abastecidos de cachecóis e camisolas oficiais do clube. O repasto teve também à mesa Luís Filipe Vieira e Petit, que presentearam Jaime Gama com uma camisola oficial. Creio que pouco mais será necessário dizer para justificar o título deste post.

Revolução, parte II

Bom... poucas horas depois, cá vai a primeira correcção ao post anterior. Já me vieram dizer que o Luís Nazaré limitou-se a aprovar o nome Phone-ix, que a ideia nem lhe passava pela cabeça. Ainda assim, aceitar tal ousadia para os CTT já é meritório. Digo eu.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Uma revolução, foda-se!

Posso ser eu que sou obtuso, já não ponho de parte essa hipótese. As discussões com os meus colegas de trabalho – para que conste, sector da comunicação, branding e essas coisas todas que dão nome e sucesso às empresas – têm sido em tom mais elevado ultimamente desde que decidi defender com unhas e dentes a genial ideia do nome do novo operador móvel dos CTT. Phone-Ix. Para vos ser sincero, gostaria de ter sido eu o autor. Orgulhar-me-ia disso.
Recentemente passou-me pelas mãos o desafio de aliar a palavra Revolução à comunicação. Fi-lo de uma forma sincera e nada forçada no sentido em que a comunicação esgota-se, por vezes, de tal forma que só mesmo fazendo uma revolução na forma de passar a mensagem se consegue eficiência neste campo. Foi isso que os CTT fizeram. Folgo em ver que uma empresa com todo o peso institucional que é apanágio de quem está sob os cordelinhos estatais foi capaz de ousar, criando uma Revolução na sociedade e, pelo que já se constou, nos públicos internos da empresa de Correios, Telégrafos e Telefones.
Defendo a marca Phone-Ix porque acho-a perfeita para o público-alvo que procura. Defendo-a mesmo antes de conhecer o seu racional – porque decerto terá um – e mesmo sabendo que corro o risco de nunca mais me considerarem numa reunião de brainstorming para um naming de um cliente meu.
Disseram-me que a defendo porque não tenho filhos, porque de outra forma não pensaria assim. Lamento, mas ainda assim gostaria de dar os meus parabéns ao Luís Nazaré. Tive oportunidade de conhecê-lo pessoalmente enquanto jornalista e sei como pensa e como as suas ideias poderiam ser replicadas em outros organismos para dar cabo das traças e do cheiro a mofo que se sente ao abrir da porta de uma instituição estatal deste país.