sexta-feira, março 28, 2008

Abrindo a caixinha das glórias

Dizem os livros que desta vez a Laurinha já terá ouvido. Consta também, de acordo com os mesmos livros, que o bebé identificará, depois de ter nascido, uma música que a mãe terá ouvido com mais frequência a partir dos cinco meses de gestação. Eu e a Catarina já combinámos que vamos fazer a experiência. Fica para já o registo de um momento mágico de ontem à noite no Coliseu de Lisboa, uma caixinha de glórias bem candidata à experiência.

terça-feira, março 25, 2008

Um tico-tico não é para todos

Hoje fiquei a saber que os cortes a fazer na bancada nova que vou ter na cozinha, algo que me preocupava, podem ser feitos com um tico-tico. Não sei o que é, mas o pedreiro já me disse que tem um e que me empresta.

A casa onde moro (1)

 

   

Surprise, surprise II

Estão a ver o que quero dizer com o post anterior?

Surprise, surprise

Todos os anos aguardo ansiosamente as grandes surpresas musicais. Na música começa a ser cada vez mais difícil inovar. A roda está inventada, logo, cada revelação mritausical em cada ano é recebida por mim com entusiasmo redobrado.
É por essa razão que fico particularmente satisfeito por a primeira grande surpresa de 2008 para mim vir de Portugal. Rita Pereira, sob a "marca" Rita Redshoes, apanhou-me em cheio com o álbum de estreia Golden Era. Um bom pedaço de música irrepreensível e brilhante, em composições geniais e repletas de personalidade.
Esta será, garantidamente, uma carreira na qual vou estar de olhos postos.

segunda-feira, março 24, 2008

Na palma da mão

Foi na última madrugada, de sábado para domingo, que senti os primeiros sinais físicos da Laurinha para o mundo exterior. Senti entre os meus dedos e na palma da minha mão. Acabou-se a exclusividade da mãe.

sexta-feira, março 21, 2008

O docinho mediático da santa época

Gosto pouco de frases feitas, mas sou forçado, neste momento, a recorrer àquela do... ora deixa ver se me lembro... Portugal é um país de brandos costumes, acho que é isto. Vai para mais de 30 horas que a notícia sensação que abre qualquer telejornal ou serviço noticioso é a da pirralha de 15 anos que, vendo-se desapossada do seu telemóvel em plena aula, empreende numa indescritível, vergonhosa e constrangedora atitude de violência contra uma professora.
O assunto é grave, naturalmente, e merece ser do conhecimento público, para que depois não se diga, como em outros assuntos, que certas coisas não acontecem. Sobretudo deverá provocar uma reflexão. Uma reflexão de pais, professores e não só. Eu, que vou ser pai em Julho, vi-me forçado a ver as imagens desta triste cena de um ângulo bem diferente. Porque nestas coisas, aquela fantástica atitude que é apanágio da natureza humana de encontrar no culpar alguém a forma mais fácil de encarar um problema chamaria para o previsível A culpa é dos paisinhos. Se fosse minha filha...

PRIMEIRO: Estamos a tempo de pensar na forma como queremos que as escolas portuguesas funcionem daqui para frente, visto que relatos como estes têm-se intensificado desde que os psicólogos inventaram um sem-número de rodomas de vidro para os adolescentes mais insubordinados que, "coitadinhos", precisam é de ser compreendidos. Não gosto de me nivelar por baixo, obviamente, mas ainda temos tempo até chegar aos absurdos casos que vamos tendo conhecimento dos Estados Unidos.

SEGUNDO: Por achar que tudo isto merece uma inevitável reflexão, como já referi, não consigo deixar de ficar chocado com o imediato aproveitamento político que, na tal cobardia humana, a primeira coisa que traz à tona é o Em quem vamos meter as culpas. Em vez de pensar em formas de pensar o problema e de estimular a tal reflexão, o CDS-PP já fez saber que pretende crucificar a ministra da Educação em pleno Parlamento, porque assim sempre faz figura e depois até poderá dizer que foi o primeiro a tentar resolver o assunto. Provavelmente, já deverá estar a construir os argumentos todos para demonstrar que a culpa é de Maria de Lurdes Rodrigues, trabalho facilitado até por a ministra ser o elo mais fraco dos últimos dias. Vale o facto de a senhora já ter criado calo a ser parangona de jornal, sobretudo depois de se ter "atrevido" a fomentar a avaliação dos professores, coitados, que se consideram todos excelentes e, como tal, sentiram-se ofendidos por alguém pôr em causa o seu profissionalismo, tal como se faz em outros sectores de actividade.

quarta-feira, março 19, 2008

A infância antes dos Ficheiros Secretos

cristal Uns têm hoje os Ficheiros Secretos. Outros, como foi o meu caso, nos anos 80 tinham o que hoje é já rotulado de clássico. Morreu hoje Arthur C. Clarke. A caminho dos 91 anos, o autor de ficção científica ficou notabilizado por muitas obras, mas a que o mais marcou terá sido provavelmente 2001: Odisseia no Espaço, estampado no grande ecrã pelas lentes de Stanley Kubrick.
Mas não foi este o feito que mais me marcou em Arthur C. Clarke. Desde há muito que tenho a maior das curiosidades pelo paranormal. Gosto de estudar tudo o que diga respeito a fantasmas, almas do outro mundo e outras abantesmas em cuja existência – por muito troçado que possa ser por isto – acredito. E por isso posso garantir que Arthur é grande responsável.
O Mundo Misterioso de Arthur C. Clarke, era assim que se chamava a série de televisão que nos anos 80 me punha especado a olhar para o televisor. A inesquecível caveira de cristal do genérico, as famosas chuvas de rãs que ainda hoje de manhã eram referidas por Fernando Alves na TSF ou os objectos que se mexiam sozinhos, as vozes que se ouviam do nada, as manchas luminosas que pairavam no ar, de tudo isto me lembro como o meu vício de televisão há mais de 25 anos.
Vou comprar a série, se a encontrar por aí. É a melhor homenagem que posso fazer a Arthur.

segunda-feira, março 17, 2008

Mas afinal quantos eram os ABBA? II

SPANVC80103170825-bigEste é que é (era) o baterista dos ABBA. Já alguma vez o tinham visto? Nem eu. Grandes trafulhas, os suecos. Este parece que foi contra uma porta de vidro, em sua casa, e espetou um caco na garganta. Coisas giras para acontecer a um gajo.

Mas afinal quantos eram os ABBA?

platinum-abba2 Ele há coisas de que quase me envergonho. Não sei como pude ser tão ingénuo ao ponto de pensar que os ABBA, para além da prática do swing, essa modernice nórdica, faziam todo aquele espalhafato apenas com um senhor ao piano, outro com uma guitarra, duas moçoilas cantantes e fatos espaciais vindos directamente do roupeiro da série Espaço 1999, coisa nobre da TV dos tempos em que as traças acasalavam dentro de televisores a preto e branco.
Hoje vi nas notícias que o baterista dos ABBA foi encontrado morto. Degolado, mais precisamente. A questão que lanço é MAS QUAL BATERISTA DOS ABBA? Sabia perfeitamente que os Millie Vanilli enganaram toda a gente com uns playbacks alimentados atrás dos reposteiros lá do fundo do palco. Mas onde escondia o quarteto sueco um senhor chamado Brunkert Ola, que hoje apareceu morto em Mallorca, no jardim de sua casa? Pergunto mesmo quantos eram eles? Quem mais era dos ABBA que ponha o dedo no ar.
Um dia destes ainda me veem dizer, provavelmente, que o som de orquestra que acompanhava o José Cid e o seu Grande Grande Amor não vinha de dentro do piano que ele, sozinho no palco, tocava no Festival RTP da Canção 1980.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Como nascer em Maio e depois estar entre as minorias

Diz assim hoje o Expresso Online: Maio e Setembro são os dois meses em que nascem mais portugueses. António Caleiro, professor na Universidade de Évora, analisou o perfil da natalidade em Portugal desde 1969 e chegou à conclusão que a maior parte das concepções acontece em Agosto e no final do ano.

Mais uma pérola (já começa a ser uma questão de colecção)

O que eu quero é um saldo positivo

Tudo indica que não somos, de facto, mais do que um somatório de pontos. Em cada atitude, em cada gesto, vamos marcando pontos positivos e negativos junto dos outros. Sim, porque a opinião que temos de quem tem estado por perto das nossas vidas – amigos, amores, familiares – mais não é do que o resultado de um bom punhado de memórias que, entre boas e más, terminam num saldo positivo ou negativo. Assim como se uma acção nossa valesse X pontos. Para cima ou para baixo. Com esses pontos vamos criando um score. Mas surgem dois grandes problemas: primeiro, não temos esse score escrito na testa, pelo que perante um novo conhecimento a contagem parte do zero. Isto resulta nas impressões mais variadas que deixamos nos outros. Mas acreditem, meus amigos, tudo não passa mesmo de um singelo somatório; em segundo lugar, a pontuação não é linear, do tipo "uma acção, um ponto". Frequentemente, uma determinada atitude representa tantos pontos negativos que deitam por terra mil e um positivos.
Só posso depreender que a vida, efectivamente, funciona assim, porque a velocidade com que se pode perder em dias uma amizade de vida (felizmente caso isolado) ou a oscilação bruta de uma simpatia profissional parece mostrar que tenho razão. Com a agravante de que os pontos mais recentes (positivos ou negativos) parecem ter uma ponderação muito maior no score do que os mais antigos.
Este vita modus operandi tem tanto de injusto como de incontornável, por isso apenas me resta um grande objectivo: andar sempre com saldo positivo na conta.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Emoções fortes

Em já alguns anitos de trabalho, vão sendo algumas as imagens que se vai guardando como boas recordações. Hoje, na minha chegada ao escritório, fui surpreendido por uma imagem que jamais esquecerei.

É uma menina e vai chamar-se Laura

Teorias, apostas e adivinhações

Vai ser uma menina, tenho a certeza. Vê-se pela barriga da mãe e pelos traços do rosto. Vais ver que é, nunca falha.

Olha, nem vale a pena pensarem mais nisso. É um rapaz. Vê-se pela idade do pai na altura em que o bebé foi concebido. Quando a soma dos dígitos da idade do pai é par, é rapaz. 35 anos, portanto 3 + 5 = 8, é rapaz. Nunca falha.

Ora está bom de ver que há por aí uns Nunca falha e uns Nunca me enganei que, fatal como o destino e como tudo na vida, ficam com os dias contados.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Tenham medo. Tenham muito medo

A Protecção Civil emitiu um comunicado a informar que nos dias 22 e 23 (amanhã e depois, portanto), bem que podemos estar à espera de, e passo a citar, Inundações em meio urbano por acumulação de águas pluviais ou insuficiência dos sistemas de drenagem; Danos em estruturas montadas ou suspensas; Aumento do número de acidentes de viação devido à existência de piso escorregadio e eventual formação de lençóis de água ou o arrastamento de materiais sólidos para a via; Curto-circuitos em casas antigas; Queda de árvores; e Possibilidade de estradas cortadas nas regiões onde se prevê queda de neve. Enfim, aproxima-se o inferno, meus amigos, aproxima-se o inferno!

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Cá está:

O temporal que ontem arrasou a capital pode regressar já hoje, com nova vaga de chuvas fortes. O Instituto de Meteorologia elevou o alerta para Amarelo para os distritos de Lisboa e Leiria devido à previsão de chuva forte.

Lusa

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Nem imaginam como estimo o meu pátio

Gostaria de partilhar algo convosco: a minha casa tem um pátio. É um pequeno terraço pelo qual nutro muita simpatia. É um espaço que me permite dedicar a um grande passatempo meu, a minha colecção de Bonsai. Tem uma mesinha, cadeiras, dá para ler sossegadamente um livro e no Verão enche-se de amigos para os petiscos. O que quero dizer, mais precisamente, é que estimo muito este espaço, e por isso tenho de ter um especial cuidado com ele, porque é murado a toda a volta, o piso não tem inclinação e em madrugadas como a que Lisboa viveu hoje as chuvas torrenciais poderiam tranformá-lo num inesperado e indesejado tanque. Posso garantir-vos que dificilmente alguém encontrará local mais sujeito às surpresas de uma chuvada do que aquele. Mas tal não aconteceu, e posso arriscar um palpite para o explicar. Tenho para mim que é porque o escoador que está bem no centro da tijoleira é limpo regularmente. E porque é que o limpo assiduamente? Bom, acho que é mesmo porque estimo muito o meu pátio.

O Pedro e o Lobo

Não é a primeira vez que falo neste assunto, mas eu sou assim, teimoso. A Autoridade Nacional para a Protecção Civil adora brincar com os alertas que vemos aqui ao lado. Ele é laranja, ele é amarelo, por tudo e por nada. Desta vez talvez até houvesse razão para um desses avisos coloridos que vivem para ser comentados à mesa do café de bairro, mas a verdade é que o primeiro comunicado da ANPC sobre a chuva intensa que se fez sentir esta madrugada em Lisboa data de hoje, às 13h45, fazendo então as suas recomendações de protecção. Já o Instituto de Meteorologia tinha dito que "o pior já passou".

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Há horas próprias para tudo

Alguém, por favor, explique aos senhores editores da TSF que às 9h45 da manhã não é hora para se ouvir descrições detalhadas sobre a alheira de caça de Trás-os-Montes, de todos os mais pequenos pormenores das receitas com presunto de porco preto e da confecção e preparação ingrediente a ingrediente dos mais tenros pastéis de não sei o quê. Tenho para mim que, todos os dias e à mesma hora, este não é o conteúdo de rádio mais apetecido para o pára-arranca do trânsito da manhã. Prefiro, sinceramente, que me desassosseguem com os pré-avisos de recessão da economia norte-americana, com o trambolhão da bolsa e com o estudo encomendado ao LNEC para a terceira travessia do Tejo.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Os resguardados

Não dou o meu tempo por perdido no debate de ontem, que, aliás, soube a pouco. Mas confesso-me desiludido. Bem sei que para Luís Paixão Martins a tarefa não iria ser fácil, porque cabia-lhe o papel de defender-se de um argumentário que, todos sabíamos, iria resguardar-se no que aparenta ser o mais correcto para quem está de fora do fenómeno fonte/jornalista. É muito fácil dizer que um consultor de comunicação tem o papel de reduzir informação objectiva a soundbytes, forçando os destinatários a consumir informação enviesada. Parece-me demasiada certeza para quem garante nunca ter trabalhado com um consultor de comunicação. Tal como com a experiência que permite a um padre dar aconselhamento sobre matrimónio, Pacheco Pereira opina com uma interessante segurança sobre o que, diz ele, nunca quis ter por perto.
Já se percebe que "facção" defendo, está bom de ver. Por isso esperava mais de um Luís Paixão Martins que permitiu que os raciocínios que partilha connosco no seu blogue tivessem sido usados contra si. Ter-se-á esquecido que Pacheco Pereira é dos líderes de opinião mais inteligentes no uso da palavra e, em momentos de insegurança, resguardou-se no seu sentido de humor, efectivamente brilhante. O post de LPM sobre a necessidade de serviços de comunicação de Pedro Santana Lopes é claríssimo. Perante um Pacheco Pereira que fingiu não ter percebido o seu significado, Paixão Martins não soube defender-se da forma mais esperada, criando-se um sistema em que quem fala por último fica com a (aparente) razão. Um discurso de brincalhão a puxar à gargalhada da audiência não chega para destronar um Pacheco Pereira resguardado numa demagogia fácil de defender. Luís Paixão Martins esqueceu-se que o trabalho mais difícil iria ser o seu.
Tenho pena. Fico-me então pela versão escrita de Luís Paixão Martins, que me parece mais coerente no raciocínio e em bastante maior sintonia com o meu conceito de consultoria de comunicação.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Serei visionário?

Segundo a imprensa económica de hoje, Jerôme Kerviel, corretor do Société Générale responsável pela maior fraude de sempre, disse às autoridades francesas que o banco foi "complacente" com as suas práticas "enquanto estivémos a ganhar". Esta estratégia do estilo eu enterro-me mas vocês vão comigo tem uma razão de ser e – cá vamos nós ao Barings Bank – não é inédita. Repare-se no pormenor do plural em enquanto estivémos a ganhar.