Estava eu no meu blogzapping matinal e foi então que numa das páginas que visito diariamente vi uma referência a um site que mede o valor de um blogue. Não conheço a metodologia de aferição usada, mas fiquei a saber algo importante: o meu blogue vale zero.
Quando damos por ela, já partilhamos o que juraríamos serem segredos só nossos. Mas, também, de que outro modo descobriríamos quem os entende?
segunda-feira, junho 23, 2008
quinta-feira, junho 12, 2008
Portugaljacking
Se queres conhecer o vilão, mete-lhe a vara na mão, diz o provérbio. Ora o que eu não queria mesmo era ter conhecido o vilão.
A sensação é, no mínimo, angustiante e de revolta. Esta semana, todos os portugueses foram sequestrados. Um bando de terroristas decidiu tomar de assalto o país, fez-nos a todos reféns e lançou o pedido de resgate, à boa escola de piratas. E o Governo o que fez? Que decisão tomou? Limitou-se, pois, a pagar o resgate.
Confesso-me assustado. Represálias, camiões incendiados, tiros de caçadeira a quem tentou fugir ao sequestro e outras coisas inimagináveis que nem foram vistas nas televisões tiveram a total bênção das autoridades. A GNR chegou ao ridículo de fazer passar um camião de combustível às escondidas, qual gesto clandestino e invertendo surrealmente o papel dos prevaricadores.
Não posso conceber que perante a atrocidade dos transportadores, em vez da real distribuição de bastonada de criar bicho tudo termine apenas com um aperto de mão, sem sanções e premiando-se escandalosamente um conjunto de idiotas ignorantes e oportunistas à custa de todos nós. E porque é que estou assustado? Porque está dado o mote para que outro grupo qualquer de descontentes, tendo percebido a grande fragilidade do Governo numa situação destas, tome a iniciativa de se atravassear numa rua para, em nome da "democracia", fazerem o que querem.
terça-feira, junho 03, 2008
Mãos de génio para génios com as mãos
Poucas coisas me terão surpreendido tanto como isto que agora partilho convosco neste blogue. Conheci esta semana, por intermédio de um amigo meu, este instrumento musical chamado Hang Drum. Foi inventado há oito anos por dois artesãos da Suíça – Felix Rohner e Sabina Schärer – que chegaram a esta genialidade após um estudo aprofundado da acústica de variadíssimos outros instrumentos por esse mundo fora. O Hang Drum, ultrapassando todas as fronteiras da percussão, é de uma arte tal que a sua produção industrial ainda não foi possível. Tem ainda de ser feito à mão e apenas os seus criadores conhecem o segredo do fabrico. Daí que dizer que um dia vou ter uma coisa destas em casa parece-me, para já, pura utopia. Mas socorro-me da frase feita para pensar que A esperança é a última a morrer.
segunda-feira, junho 02, 2008
Gente que nasce de esguelha
Por favor não deixem de ouvir. Posso avisar-vos que arrepia até os mais insensíveis. Peço especial atenção para a carga emocional a partir dos 2'49''. Para além disto, não se me oferece quaisquer outros comentários. Comentem vocês, se quiserem.
quarta-feira, maio 14, 2008
terça-feira, maio 13, 2008
Quando os pobres riem
Já ouvi por aí as primeiras reacções ao novo programa de humor da RTP aos domingos à noite, Os Contemporâneos. E com grande decepção constato que a maioria dos portugueses continua a preferir o humor fácil, feito sob a lei do menor esforço.
Sim, faço parte da minoria que considera de génio o humor com que a televisão pública (e aqui manifesto surpresa) nos presenteia há duas semanas na recta final do fim-de-semana. Sem querer armar-me em visionário, os comentários que tenho ouvido não auguram um bom futuro para o projecto. Bate certo. Este é o país onde o programa de humor mais visto e premiado se baseia na anedota fácil, a piada que já ouvi quando frequentava a escola primária e, quando não é este o caso, a piadinha que mal começa já se consegue prever, por falta de originalidade, como acaba. Todos se riem muito porque actores que vêem na escola da Revista a verdade absoluta dos palcos contam a anedota e terminam-na com uma careta fácil para a câmara. É infantil.
Portugal é um país pobre até no rir. Três dedos chegam para contar os momentos de humor original do país: Hermam José nos idos 80 e 90. Gato Fedorento já no novo século e, agora, Os Contemporâneos. E é triste, no fim, ver que o mérito vai para quem só tenta fazer rir com a reciclagem das piadas que outros já fizeram.
segunda-feira, maio 12, 2008
Há coisas fantásticas, não há?
Ele há abstrusos negócios que não há meio de a rapaziada um dia entender. Quando se pensava que a cisão PT / PT Multimédia iria mudar alguns procedimentos de mercado, eis que somos surpreendidos. A ZON, até há pouco conhecida por TV Cabo, está a anunciar uma nova box para descodificação do sinal de cabo cheia de mais-valias. À semelhança do que oferece o serviço MEO, a nova caixa-maravilha grava, "congela" a emissão, permite retroceder a imagem para repetições no momento da emissão, etc. Como cliente ZON que sou, QUERO UMA. O serviço até vai arrancar muito em breve, o pedido de adesão já pode ser feito em www.zon.pt, mas... "As condições comerciais serão divulgadas brevemente", pode ler-se no site.
Porquê o mistério? Para que o MEO não se antecipe com alguma na manga? Na crassa falta de transparência que tal representa num mercado que se acredita ser evoluído, só posso deduzir que a ZON vai definir o preço em função da procura do serviço na fase de pré-adesão, tipo bookbuilding, quando se lança uma empresa para a bolsa de valores. Lamentável, digo eu, que me habituei à ideia do para-saber-se-pago-quero-saber-quanto-custa. Efectivamente, há coisas que nunca mudam.
segunda-feira, maio 05, 2008
quinta-feira, maio 01, 2008
(Ir)Responsabilidade
terça-feira, abril 29, 2008
Memórias de um avião que só queria voar
Empreendi numa incursão até às minhas mais profundas memórias para tentar perceber desde quando vejo na 2.ª Circular o avião. Já foi um restaurante, já esteve abandonado e desde há uns anos tem sido palco para desnudada gente com métodos muito específicos para alívio de stress no final de um dia conturbado. O Avião, como era mesmo conhecido este clube nocturno nos últimos dias, foi desmantelado ontem na sequência de o seu proprietário, José Gonçalves, certamente gente boa, ter literalmente ido pelos ares num atentado à bomba no ano passado.
Tenho pena. Sempre nutri desde criança uma curiosidade muito especial pelos interiores do velho aparelho que se impunha à vista de quem entrava ou saía de Lisboa pelo lado norte da cidade. Reza a História que este avião que acaba de ser mascado pelas escavadoras e demolidoras aterrou um dia ali, por entre os anos 70, cheio de armas para tráfico. Lá a operação não terá ficado a dever muito ao "profissionalismo" e as autoridades portuguesas terão dado com a pandilha, apreendendo o aparelho. Aliás, não deixa de ser curiosa a linha de raciocínio de quem aterra um avião ao lado de um aeroporto numa óptica de ficamos aqui a ver se ninguém nos vê porque temos isto cheio de armas. Ter-se-ão esquecido que os aviões vêm pelo ar.
Vendido em leilão – porque mesmo no quem dá mais comprar um avião é coisa fina –, ali ficou a aeronave que pouco tempo depois viria a ser um restaurante. O strip-tease conferia já há vários anos outros voos para aquele espaço, mas a Câmara Municipal ditou esta semana o ponto final numa bela história que um dia poderia resultar num bom policial de bolso para o público-alvo do livro que dá de comer às traças.
Esta história acaba num processo de reciclagem. Talvez um dia tenhamos na mão uma qualquer embalagem que seja a reencarnação de alguns materiais ontem mastigados pelas famintas máquinas. Parece que se aproveita o trem de aterragem e um dos motores, que a TAP faz questão de reclamar para si para exibir num museu (espero que seja mesmo para um museu). E, repetindo-me, tenho pena. Acho que teria saída, o avião. Mais um restaurante, ou um hotel, porque não? Afinal, foram mais de 30 anos de paisagem que acaba em descampado.
quinta-feira, abril 17, 2008
quarta-feira, abril 16, 2008
Bouquet de argumentos
Tenho para mim que o valor e o significado de se oferecer flores à pessoa amada estão ligeiramente empolados. É um facto que a grande maioria das mulheres derretem-se quando são surpreendidas por um grande ramo. Muitos homens utilizam a técnica, inclusive, para pedidos de perdão ou para a ignição de um romance que teime em não passar do sei-que-sabes-daquilo-que-sabes-que-eu-sei.
Ora, toco no assunto porque sou acusado de não oferecer flores. Assumo que raramente o fiz e quando o fiz foi de uma forma agressivamente desajeitada que acabou pior que o soneto.
Passo então à minha defesa (desculpa). Oferecer flores é fácil. Vai-se a uma loja, compra-se, diz-se à florista para que efeito é e já está. Não é original. É mesmo o gesto mais banal do romance. Por isso desvalorizo-o. Se eu fosse mulher e me oferecessem um ramo de flores, o mais certo seria perguntar Não te ocorreu mais nada? É como a garrafa de vinho para o dono da casa que nos convida. É o mais fácil, a lei do menor esforço (embora seja esta a minha prática junto dos anfitriões que me acolhem). Por isso não ofereço flores. Porque eu é que sou original.
quarta-feira, abril 09, 2008
Ajuda à Protecção Civil
Como os senhores dos habituais avisos precoces deixaram passar esta, deixo a definição para que não lhes escape na próxima.
TORNADO. Meteorologia. Coluna de vento ciclónico em área restrita, mas de grande poder destruidor, com a aparência de uma grande nuvem negra em forma de cone invertido, frequente nas costas americanas.
in infopedia.pt
segunda-feira, abril 07, 2008
sexta-feira, março 28, 2008
Abrindo a caixinha das glórias
terça-feira, março 25, 2008
Um tico-tico não é para todos
Hoje fiquei a saber que os cortes a fazer na bancada nova que vou ter na cozinha, algo que me preocupava, podem ser feitos com um tico-tico. Não sei o que é, mas o pedreiro já me disse que tem um e que me empresta.
Surprise, surprise
Todos os anos aguardo ansiosamente as grandes surpresas musicais. Na música começa a ser cada vez mais difícil inovar. A roda está inventada, logo, cada revelação m
usical em cada ano é recebida por mim com entusiasmo redobrado.
É por essa razão que fico particularmente satisfeito por a primeira grande surpresa de 2008 para mim vir de Portugal. Rita Pereira, sob a "marca" Rita Redshoes, apanhou-me em cheio com o álbum de estreia Golden Era. Um bom pedaço de música irrepreensível e brilhante, em composições geniais e repletas de personalidade.
Esta será, garantidamente, uma carreira na qual vou estar de olhos postos.
segunda-feira, março 24, 2008
Na palma da mão
Foi na última madrugada, de sábado para domingo, que senti os primeiros sinais físicos da Laurinha para o mundo exterior. Senti entre os meus dedos e na palma da minha mão. Acabou-se a exclusividade da mãe.
sexta-feira, março 21, 2008
O docinho mediático da santa época
quarta-feira, março 19, 2008
A infância antes dos Ficheiros Secretos
Uns têm hoje os Ficheiros Secretos. Outros, como foi o meu caso, nos anos 80 tinham o que hoje é já rotulado de clássico. Morreu hoje Arthur C. Clarke. A caminho dos 91 anos, o autor de ficção científica ficou notabilizado por muitas obras, mas a que o mais marcou terá sido provavelmente 2001: Odisseia no Espaço, estampado no grande ecrã pelas lentes de Stanley Kubrick.
Mas não foi este o feito que mais me marcou em Arthur C. Clarke. Desde há muito que tenho a maior das curiosidades pelo paranormal. Gosto de estudar tudo o que diga respeito a fantasmas, almas do outro mundo e outras abantesmas em cuja existência – por muito troçado que possa ser por isto – acredito. E por isso posso garantir que Arthur é grande responsável.
O Mundo Misterioso de Arthur C. Clarke, era assim que se chamava a série de televisão que nos anos 80 me punha especado a olhar para o televisor. A inesquecível caveira de cristal do genérico, as famosas chuvas de rãs que ainda hoje de manhã eram referidas por Fernando Alves na TSF ou os objectos que se mexiam sozinhos, as vozes que se ouviam do nada, as manchas luminosas que pairavam no ar, de tudo isto me lembro como o meu vício de televisão há mais de 25 anos.
Vou comprar a série, se a encontrar por aí. É a melhor homenagem que posso fazer a Arthur.
segunda-feira, março 17, 2008
Mas afinal quantos eram os ABBA? II
Mas afinal quantos eram os ABBA?
Ele há coisas de que quase me envergonho. Não sei como pude ser tão ingénuo ao ponto de pensar que os ABBA, para além da prática do swing, essa modernice nórdica, faziam todo aquele espalhafato apenas com um senhor ao piano, outro com uma guitarra, duas moçoilas cantantes e fatos espaciais vindos directamente do roupeiro da série Espaço 1999, coisa nobre da TV dos tempos em que as traças acasalavam dentro de televisores a preto e branco.
Hoje vi nas notícias que o baterista dos ABBA foi encontrado morto. Degolado, mais precisamente. A questão que lanço é MAS QUAL BATERISTA DOS ABBA? Sabia perfeitamente que os Millie Vanilli enganaram toda a gente com uns playbacks alimentados atrás dos reposteiros lá do fundo do palco. Mas onde escondia o quarteto sueco um senhor chamado Brunkert Ola, que hoje apareceu morto em Mallorca, no jardim de sua casa? Pergunto mesmo quantos eram eles? Quem mais era dos ABBA que ponha o dedo no ar.
Um dia destes ainda me veem dizer, provavelmente, que o som de orquestra que acompanhava o José Cid e o seu Grande Grande Amor não vinha de dentro do piano que ele, sozinho no palco, tocava no Festival RTP da Canção 1980.
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
Como nascer em Maio e depois estar entre as minorias
Diz assim hoje o Expresso Online: Maio e Setembro são os dois meses em que nascem mais portugueses. António Caleiro, professor na Universidade de Évora, analisou o perfil da natalidade em Portugal desde 1969 e chegou à conclusão que a maior parte das concepções acontece em Agosto e no final do ano.
O que eu quero é um saldo positivo
Tudo indica que não somos, de facto, mais do que um somatório de pontos. Em cada atitude, em cada gesto, vamos marcando pontos positivos e negativos junto dos outros. Sim, porque a opinião que temos de quem tem estado por perto das nossas vidas – amigos, amores, familiares – mais não é do que o resultado de um bom punhado de memórias que, entre boas e más, terminam num saldo positivo ou negativo. Assim como se uma acção nossa valesse X pontos. Para cima ou para baixo. Com esses pontos vamos criando um score. Mas surgem dois grandes problemas: primeiro, não temos esse score escrito na testa, pelo que perante um novo conhecimento a contagem parte do zero. Isto resulta nas impressões mais variadas que deixamos nos outros. Mas acreditem, meus amigos, tudo não passa mesmo de um singelo somatório; em segundo lugar, a pontuação não é linear, do tipo "uma acção, um ponto". Frequentemente, uma determinada atitude representa tantos pontos negativos que deitam por terra mil e um positivos.
Só posso depreender que a vida, efectivamente, funciona assim, porque a velocidade com que se pode perder em dias uma amizade de vida (felizmente caso isolado) ou a oscilação bruta de uma simpatia profissional parece mostrar que tenho razão. Com a agravante de que os pontos mais recentes (positivos ou negativos) parecem ter uma ponderação muito maior no score do que os mais antigos.
Este vita modus operandi tem tanto de injusto como de incontornável, por isso apenas me resta um grande objectivo: andar sempre com saldo positivo na conta.