quarta-feira, janeiro 28, 2009

É cheirar para crer

Consideram-me tonto as pessoas que me ouvem garantir que o cocó dos bebés – só até à introdução das sopas na sua dieta, note-se – cheira a pão.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Ir às curvas em caminhos a direito

Posto eu hoje, em primeiro lugar, para uma palavra de saudação a um colega que acaba de ser PAI, não há muitos minutos. De uma Francisca. Tendo em conta a minha experiência recente, posso, por relâmpagos de reminescências, imaginar o que estará a sentir neste momento. Mas bom, não será esse o intuito desta mensagem. Quero transmitir-lhe apenas isto, numa opinião que, aliás, já lha dei a conhecer em dias idos: meu rapaz, olha que faz parte da natureza humana complicar as coisas. Criou-se a moda e hábito de fazer de um bebé um verdadeiro bicho de sete cabeças. Antes de se ter um filho, as pessoas à volta desenham autênticos dias de terror. Agora é que vão ser elas. Espero que tenhas aproveitado muito bem a tua vidinha toda até agora. Porque não perguntaste primeiro a quem já tem filhos?

É que somos miserabilistas. Tenho para mim que só nos sentimos com conteúdo quando as coisas nos correm mal. Eh pa, nem imaginas o que me aconteceu. Só a mim (sim, porque depois temos a mania da perseguição, de que as coisas só nos acontecem a nós). Mas vou ser um pouco mais concreto.

Ter sido pai tem sido a minha melhor experiência de sempre. É verdade que muita coisa muda, mas isso gere-se. Sei que um dia vou poder dedicar-me de novo aos meus hobbies tal como o fazia antes. Ao fim de sete meses, estou de regresso, ainda que de forma moderada, às saídas com amigos, às jantaradas e ao copo do Bairro. E a mãe faz o mesmo. Confirmo, é possível ter uma vida normal. Mas há de facto quem complique, a começar pela indústria dos bebés. Um exemplo? Olha, aquelas cenas, os babygrows, são mesmo desenhadas por quem gosta de ir às curvas quando o caminho é a direito. O que deveria ser uma cena simples de enfiar pernas e braços e apertar atrás é, na verdade, um autêntico puzzle que necessita de um manual tipo Ikea para resolver. Botõezinhos de apertar em pontas que cruzam aqui e ali, sem se saber que botão pertence a que casa... Só com um pano encharcado no focinho de certos imbecis. Outro exemplo? Já ouviste falar dos discos de música própria para bebés para os acalmar? Imagens desenhadas com altas teorias de psicologia, com cores e o camandro para os deixar mais sossegados? São a coisa mais enervante do mundo e acho mesmo que os bebés gritam mais alto. Por isso peguei na câmara de video, filmei a mãe e as nossas vozes, gravei num DVD e faço play em modo repeat. Pelo resultado, acho que mereço um prémio.

E para quem acha que ter um filho é um inferno, cá vai uma frase da C. em comentário ao nascimento da tua filha. Tenho saudades de quando a Laura nasceu.

Felicidades do tamanho do mundo. Bem vindo à experiência do verdadeiro amor.

terça-feira, janeiro 20, 2009

It's the expectations, stupid

Obama 1 Ouvi com relativa atenção o discurso de tomada de posse de Barack Obama e ficou clara a razão porque conquistou a América e o Mundo. A forma como se dirige ao povo norte-americano (e não só), a convicção com que defende as suas ideias e, sobretudo, a emotividade com que passa a mensagem são irrepreensíveis. Está ali tudo o que é necessário para o estrondoso sucesso de um líder em qualquer parte do mundo e em qualquer situação. É indo directo às emoções que se "toca" um destinatário e Obama parece ter sido treinado para usar esse truque melhor do que ninguém. A forma clara como fala, sem rodeios, e o sentimento que coloca nas palavras que profere, afastando-se dos discursos assumidamente escritos para optar por uma toada disfarçada de improviso perante os mais ingénuos, foram as ferramentas-chave para criar uma empatia espontânea entre o novo presidente dos EUA e um novo e admirável universo de seguidores. Quando terminou o discurso, comentei um Este indivíduo é mesmo bom. Mas é precisamente aí que reside o problema de Barack Obama. O novo chefe de Governo do país mais popular do Mundo representa de tal forma um corte com o passado recente da América que se está a ver nele uma espécie de messias. As expectativas estão muito altas e, já a História o ensinou, quanto mais alto, maior o tombo. Ou seja, estou convencido de que o desafio de corresponder às expectativas é praticamente inatingível, de tão encimadas que estão. Barack Obama está no topo dos topos e, de uma forma perigosa, só tem, neste momento, margem para desiludir. Ossos do ofício de quem vende muito bem a sua imagem e que conseguiu fazer do seu chefe de campanha, David Plouffe, um dos meus novos ídolos. A ver vamos se estou errado.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

O Ano da Laura II

O primeiro post deste ano no ré menor, O Ano da Laura, (basta andar dois posts para trás) foi editado e publicado de novo num novo formato de video, com maior qualidade de som e imagem, e com a citação final agora visível. Para quem tiver paciência para esperar um pouco pelo carregamento do video na memória do computador, há ainda uma opção de visionamento em alta definição, usando o botão HD disponibilizado. Obrigado pela visita.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Remar contra a maré

Não gosto de amigos secretos.

Quem inventou o Karaoke devia ter sido abatido a tiro.

Não envio postais de Natal

Não suporto Smashing Pumpkins

Quando bebo, efectivamente não conduzo

Adoro Nestum com mel em leite gelado

Não envio SMS de Natal e de Ano Novo a ninguém

Não recebi pares de cuecas no Natal (peúgas, sim)

terça-feira, dezembro 23, 2008

Prémio Beijar uma Mulher que Fuma é Como Lamber Cinzeiros

O Papa Bento XVI indicou hoje que salvar a humanidade de comportamentos homossexuais ou transexuais é tão importante como salvar as florestas tropicais da destruição. “[A Igreja] deverá proteger o homem de se destruir a ele mesmo. É preciso uma espécie de ecologia do Homem”, disse o Sumo Pontífice num discurso perante a Cúria Romana, a administração central do Vaticano.

Notícia publicada hoje no Público online.

sexta-feira, novembro 28, 2008

Arroz de feijão

Sobre relatos curiosos... acho que há experiências interessantes para partilhar. Por entre pataniscas com arroz de feijão que eu ontem degustava num jantar com amigos, diz um dos convivas com a mais apurada calma, como se fosse proferir a coisa mais natural do mundo: Uma vez comi um arroz de feijão tão bom, que deve ter sido o melhor que comi até hoje. Infelizmente, não sei onde foi, porque fiz a viagem para lá dentro da mala de um carro.

segunda-feira, novembro 24, 2008

terça-feira, novembro 18, 2008

segunda-feira, novembro 17, 2008

Para que conste que em Portugal somos mesmo bons (2)

Era uma vez um funcionário público que estava habituadinho a ser promovido automaticamente. A vida corria-lhe bem até que alguém lhe disse que a partir de agora, para ser promovido, tinha que ser competente e desempenhar bem as suas funções.

Para que conste que em Portugal somos mesmo bons

Parece mentira, anedótico, mas é ver para crer. Alberto João Jardim, em resposta à política de avaliação dos professores que tanto tem dado que falar, assim legislou, tal como pode ler-se no Artigo 1.º da portaria 165-A/2008 da II Série do Jornal Oficial da Região Autónoma da Madeira de 7 de Outubro:

Para todos os efeitos de avaliação do desempenho dos docentes contratados, de transição ao 6º escalão e progressão na carreira dos docentes do quadro, o tempo de serviço prestado nos anos escolares 2007/08 e 2008/09, considera-se classificado com a menção qualitativa de Bom. (...) O presente diploma entra imediatamente em vigor.

sexta-feira, novembro 07, 2008

Porque a TV tem momentos altos...

Porque há coisas que contam

Numa organização, um bom ambiente de trabalho é logo meio caminho andado para o sucesso. E por muito idiota que isto possa parecer, é em jantares descomplicados entre colegas de trabalho que certas coisas se medem. É por estas e por outras que acho os team buildings uma inutilidade da gestão moderna. Tenho dito.

terça-feira, outubro 14, 2008

Dúvida éclair

KONICA MINOLTA DIGITAL CAMERA  Está bom de ver que o Homem é sábio na adaptação do mundo que o rodeia ao seu conceito muito próprio e cómodo de bem-estar e de conforto. A História assim o tem demonstrado clara e convincentemente. O Homem cria ao encontro das suas necessidades. É por isso que hoje nos deslocamos em máquinas, subimos escadas sem ser necessário mexer uma perna ou executamos virtuosas operações financeiras sem pôr o pé num banco.

Ora, dito isto, alguém me explique então a estratégia de três passos para a frente e um para trás que pontualmente sobressai nas grandes invenções da e para a Humanidade. Gostaria de saber quem foi o génio, a retorcida mente, que um dia se lembrou de substituir a braguilha das calças por um sistema de botões que consomem 20 vezes mais tempo para serem fechados – isto no caso de o esforço ser bem sucedido à primeira – perante o trabalho consumado frente a um urinol. Tecia um amigo meu, reagindo à minha dúvida, que o problema da braguilha residia no entalamento. Primeiro, meus caros amigos defensores da botanada calceira, não me lembro de alguma vez ter sofrido de tal acidente. E para os que se entalam, devo lembrar que as peças interiores de vestuário, embora com os seus propósitos muito específicos, consubstanciam-se num bom aliado no contorno de certos problemas.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Quando a sensualidade está nos tornozelos

Eu sou o primeiro a não compreender algumas das minhas próprias obsessões. Há pequenas coisas que me ficam atravessadas, pequenos mistérios do modo de pensar e agir do ser humano que, para serem desvendandos, obrigariam a épicos feitos ainda mais cabeludos do que procurar, por exemplo, as mais enigmáticas origens do Universo. Quem comigo convive conhece algumas das minhas eternas embirrações. Por isso, e perdoem-me o desabafo, partilharei mais uma que, com sinceridade vos digo, me atormenta de forma absurda.

A verdade é que não consigo compreender porque é que na generalidade das casas de banho em espaços públicos e também – descubro eu agora – em locais de trabalho a porta não vai até ao chão, como manda o bom princípio de uma porta que se quer como tal. Que perversa finalidade poderá ter – e para que tipo de alminhas – olhar para a porta de uma casa de banho e vislumbrar, do outro lado, dois pés com um par de calças enrodilhado nos tornozelos? Voyeurismo? Fetiche? As dimensões das casas de banho, por alguma razão, não têm medidas standard e esquecem-se de tal pormenor quando mandam fazer a porta? Ora, apenas uma certeza sobressai: quem não leva as portas das casas de banho até ao chão fá-lo com intenção. Acreditem, meus amigos, que temos a sociedade trilhada entre gente doente e perturbada. Gente que anseia por ver uns quaisquer jeans ou mesmo calça de fato a embrulhar um par de tornozelos. Deambulam por aí à procura, tenho a certeza. Pensem muito bem nisto na vossa próxima dor de barriga e digam-me se não tenho razão.