Mas quando estavas triste, gostavas muito de ouvir o Godinho:
A princípio é simples anda-se sozinho
Passa-se nas ruas bem devagarinho
Está-se bem no silêncio e no burburinho
Bebe-se as certezas num copo de vinho
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
Dá-se a volta ao medo dá-se a volta ao mundo
Diz-se do passado que está moribundo
Bebe-se o alento num copo sem fundo
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E é então que amigos nos oferecem leito
Entra-se cansado e sai-se refeito
Luta-se por tudo o que leva a peito
Bebe-se come-se e alguém nos diz bom proveito
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Depois vem cansaços e o corpo fraqueja
Olha-se para dentro e já pouco sobeja
Pede-se o descanso por curto que seja
Apagam-se dúvidas num mar de cerveja
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Enfim duma escolha faz-se um desafio
Enfrenta-se a vida de fio a pavio
Navega-se sem mar sem vela ou navio
Bebe-se a coragem até dum copo vazio
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E entretanto o tempo fez cinza da brasa
E outra maré cheia virá da maré vaza
Nasce um novo dia e no braço outra asa
Brinda-se aos amores com o vinho da casa
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Quando damos por ela, já partilhamos o que juraríamos serem segredos só nossos. Mas, também, de que outro modo descobriríamos quem os entende?
segunda-feira, novembro 27, 2006
sábado, novembro 25, 2006
Um dia passaram os créditos finais
Nunca me hei-de esquecer de uma expressão tua quando estavas excepcionalmente feliz: Agora era o momento em que passavam os créditos finais, dizias. Esta frase ficou para sempre gravada na minha caixinha das recordações e ainda hoje penso muito nela quando me sinto bem comigo, com a vida e com o mundo. Adoptei-a. Utilizaste-a por diversas vezes ao meu lado, o que me deixava mais afortunado do que nunca por naquele momento fazer parte do final feliz do teu filme. Aconteceu perante gestos simples, viagens, paisagens irreais e num sem número de situações que me estão gravadas no coração e, tenho a certeza, estavam também guardadas no teu. Até ontem.
Esse é o problema dos filmes, habituamo-nos a que tenham final feliz e só esperamos que os créditos finais apareçam quando está tudo bem e resolvido, quando a câmara se afasta e não queremos que a cena seguinte estrague tudo. Mas não é sempre assim. Ontem passaram os créditos finais de um filme lindo, mas no momento errado. Não era aqui que acabava a história, não era assim. O projector já se apagou, as luzes do cinema já acenderam, o pano fechou e eu continuo sentado na sala a olhar lá para a frente. Não vai haver sequela, o realizador cansou-se de esperar pela actriz que teima em não aparecer. Parece que é mesmo verdade, o filme terminou mesmo. E agora tenho medo de ir à caixinha das recordações. THE END.
Esse é o problema dos filmes, habituamo-nos a que tenham final feliz e só esperamos que os créditos finais apareçam quando está tudo bem e resolvido, quando a câmara se afasta e não queremos que a cena seguinte estrague tudo. Mas não é sempre assim. Ontem passaram os créditos finais de um filme lindo, mas no momento errado. Não era aqui que acabava a história, não era assim. O projector já se apagou, as luzes do cinema já acenderam, o pano fechou e eu continuo sentado na sala a olhar lá para a frente. Não vai haver sequela, o realizador cansou-se de esperar pela actriz que teima em não aparecer. Parece que é mesmo verdade, o filme terminou mesmo. E agora tenho medo de ir à caixinha das recordações. THE END.
sexta-feira, novembro 24, 2006
Maria José Margarido
10 de Janeiro de 1972 - 24 de Novembro de 2006.
Mas no meu coração viverás sempre.
Subscrever:
Mensagens (Atom)