sexta-feira, novembro 30, 2007

País de merda

O Presidente da Assembleia da República e os deputados adeptos do Benfica juntaram-se ontem num jantar abastecidos de cachecóis e camisolas oficiais do clube. O repasto teve também à mesa Luís Filipe Vieira e Petit, que presentearam Jaime Gama com uma camisola oficial. Creio que pouco mais será necessário dizer para justificar o título deste post.

Revolução, parte II

Bom... poucas horas depois, cá vai a primeira correcção ao post anterior. Já me vieram dizer que o Luís Nazaré limitou-se a aprovar o nome Phone-ix, que a ideia nem lhe passava pela cabeça. Ainda assim, aceitar tal ousadia para os CTT já é meritório. Digo eu.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Uma revolução, foda-se!

Posso ser eu que sou obtuso, já não ponho de parte essa hipótese. As discussões com os meus colegas de trabalho – para que conste, sector da comunicação, branding e essas coisas todas que dão nome e sucesso às empresas – têm sido em tom mais elevado ultimamente desde que decidi defender com unhas e dentes a genial ideia do nome do novo operador móvel dos CTT. Phone-Ix. Para vos ser sincero, gostaria de ter sido eu o autor. Orgulhar-me-ia disso.
Recentemente passou-me pelas mãos o desafio de aliar a palavra Revolução à comunicação. Fi-lo de uma forma sincera e nada forçada no sentido em que a comunicação esgota-se, por vezes, de tal forma que só mesmo fazendo uma revolução na forma de passar a mensagem se consegue eficiência neste campo. Foi isso que os CTT fizeram. Folgo em ver que uma empresa com todo o peso institucional que é apanágio de quem está sob os cordelinhos estatais foi capaz de ousar, criando uma Revolução na sociedade e, pelo que já se constou, nos públicos internos da empresa de Correios, Telégrafos e Telefones.
Defendo a marca Phone-Ix porque acho-a perfeita para o público-alvo que procura. Defendo-a mesmo antes de conhecer o seu racional – porque decerto terá um – e mesmo sabendo que corro o risco de nunca mais me considerarem numa reunião de brainstorming para um naming de um cliente meu.
Disseram-me que a defendo porque não tenho filhos, porque de outra forma não pensaria assim. Lamento, mas ainda assim gostaria de dar os meus parabéns ao Luís Nazaré. Tive oportunidade de conhecê-lo pessoalmente enquanto jornalista e sei como pensa e como as suas ideias poderiam ser replicadas em outros organismos para dar cabo das traças e do cheiro a mofo que se sente ao abrir da porta de uma instituição estatal deste país.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Orgulho quê?

Ora começo este post por reconhecer que ao escrevê-lo posso estar a cair no logro. Ou seja, como provavelmente terá sido a intenção de quem idealizou esta campanha, ao criticá-la vou contribuir para lhe dar asas publicitárias. Mas quanto a isso não há volta a dar, portanto...
Refiro-me à novíssima campanha da cerveja Tagus, que assenta a sua comunicação na criação de uma comunidade heterossexual. Obviamente que não foi com demora que a primeira queixa caiu no Instituto Civil da Autodisciplina da Publicidade, vinda podemos adivinhar de quem.
Para a Sumol, esta campanha assinada pela Lowe & Partners vai, de uma forma disruptiva, baralhar alguns dos clichés existentes na sociedade e criar uma comunidade que se orgulha de ser heterossexual. Pois, está muito bem, mas para mim continuará a não ser mais do que uma campanha de um abstruso mau gosto.
Mas há que ver as coisas pelos dois lados. Imbecilidade por imbecilidade, creio que as chamadas paradas de orgulho gay, ainda pouco ou nada frequentes em Portugal, criam aquilo a que se chama uma situação de telhados de vidro, ainda que defenda que a comunicação da Tagus não deva, por isso, ir tão baixo.

Portanto, e para todos, curem-se lá da idiotia aguda e orgulhem-se lá então disso.

quinta-feira, novembro 22, 2007

quarta-feira, novembro 21, 2007

Há muito que não vou a um concerto teu, Jorge


Caro Jorge,

Escrevo-te esta carta aberta porque fui ontem ver um concerto teu. No Coliseu de Lisboa. Queria começar por te dizer que gostei muito e que continuo a achar-te uma referência da música portuguesa. Mereces a casa cheia que ontem te recebeu e muito mais.
Mas peço-te também que me perdoes o egoísmo. Passo a explicar: este não é o teu concerto que eu queria ver. Saí da sala, depois do espectáculo, a pensar isto não é um concerto do Jorge. Um concerto teu, desculpa lá que te diga, tem de ser muito mais intimista e informal, porque seria o que bateria certo com a proximidade que consegues de quem gosta de te ouvir.
Lembras-te, uma vez, de quando tocaste no extinto Ritz Club, ali ao pé da Praça da Alegria, em Lisboa? Quando te sentaste ao piano e, lá de cima, do palco, dialogavas connosco como se estivesses em tua casa? Nós pedíamos e tu tocavas. Não me conheces de lado nenhum, mas naquela noite – desculpa lá, não me lembro da data – parecíamos todos um grupo de amigos que se conheciam há muito tempo. Ouvíamos-te, provocávamos-te e tu regias e respondias. Acompanhávamos-te com uma cerveja nas mãos, entre bafos de um inocente porro e quando terminaste o teu espectáculo desceste do palco e vieste beber uma cerveja connosco. Ora aqui está uma bela memória que tenho de um espectáculo teu, também de casa cheia, embora à sua maneira, aquela maneira bem especial do velho Ritz que tenho a certeza de que te lembras bem.
Então e o Johnny Guitar? Recordas-te? Palma’s Gang no Johnny Guitar. Eh pá, que fixe que foi!
Mas deixa-me falar-te então um bocadinho do teu concerto de ontem. Fiquei feliz por ver que aquele espírito que é teu apanágio se mantém. Trocaste três ou quatro piadas com o público, improvisaste no piano e tentaste não seguir regras. Pelo menos tentaste. E é isso que se espera de ti. Mas eu não tinha uma cerveja na mão, porque não se podia. Não podia levantar-me do meu lugar e andar livremente na sala, porque não se podia. Só nos podíamos levantar e sentar quando uns senhores maus que por lá andavam nos deixavam. Fiquei sentadinho e quietinho a ouvir-te tocar, muito pouco descontraído.
Vês a foto que junto a este post? Foi tirada a medo, por isso ficou assim. Eu sei que as regras dizem que não se pode fotografar. Mas que mal poderá fazer uma inocente foto feita com um telemóvel sem qualidade? Não é por isso que te roubamos a alma ou deixamos de proteger a tua imagem. Mas os senhores maus pareciam uns falcões, distribuindo reprimendas por quem se portasse mal.
Desculpa-me a franqueza, Jorge, mas tenho saudades de um concerto teu. Um concerto a sério. Há muito tempo que não vou a um concerto do Jorge.
Um grande abraço deste que te estima. Vamo-nos vendo por aí, pá.

sexta-feira, novembro 16, 2007

Noite grande em Lisboa


Foi, posso garantir-vos, uma grande noite. Foi ontem, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Faltou a senhora descolar-se um pouco mais das suas versões de estúdio, algo que faz sempre muita falta num concerto. Ainda assim, foi muito bom.