sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Como nascer em Maio e depois estar entre as minorias

Diz assim hoje o Expresso Online: Maio e Setembro são os dois meses em que nascem mais portugueses. António Caleiro, professor na Universidade de Évora, analisou o perfil da natalidade em Portugal desde 1969 e chegou à conclusão que a maior parte das concepções acontece em Agosto e no final do ano.

Mais uma pérola (já começa a ser uma questão de colecção)

O que eu quero é um saldo positivo

Tudo indica que não somos, de facto, mais do que um somatório de pontos. Em cada atitude, em cada gesto, vamos marcando pontos positivos e negativos junto dos outros. Sim, porque a opinião que temos de quem tem estado por perto das nossas vidas – amigos, amores, familiares – mais não é do que o resultado de um bom punhado de memórias que, entre boas e más, terminam num saldo positivo ou negativo. Assim como se uma acção nossa valesse X pontos. Para cima ou para baixo. Com esses pontos vamos criando um score. Mas surgem dois grandes problemas: primeiro, não temos esse score escrito na testa, pelo que perante um novo conhecimento a contagem parte do zero. Isto resulta nas impressões mais variadas que deixamos nos outros. Mas acreditem, meus amigos, tudo não passa mesmo de um singelo somatório; em segundo lugar, a pontuação não é linear, do tipo "uma acção, um ponto". Frequentemente, uma determinada atitude representa tantos pontos negativos que deitam por terra mil e um positivos.
Só posso depreender que a vida, efectivamente, funciona assim, porque a velocidade com que se pode perder em dias uma amizade de vida (felizmente caso isolado) ou a oscilação bruta de uma simpatia profissional parece mostrar que tenho razão. Com a agravante de que os pontos mais recentes (positivos ou negativos) parecem ter uma ponderação muito maior no score do que os mais antigos.
Este vita modus operandi tem tanto de injusto como de incontornável, por isso apenas me resta um grande objectivo: andar sempre com saldo positivo na conta.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Emoções fortes

Em já alguns anitos de trabalho, vão sendo algumas as imagens que se vai guardando como boas recordações. Hoje, na minha chegada ao escritório, fui surpreendido por uma imagem que jamais esquecerei.

É uma menina e vai chamar-se Laura

Teorias, apostas e adivinhações

Vai ser uma menina, tenho a certeza. Vê-se pela barriga da mãe e pelos traços do rosto. Vais ver que é, nunca falha.

Olha, nem vale a pena pensarem mais nisso. É um rapaz. Vê-se pela idade do pai na altura em que o bebé foi concebido. Quando a soma dos dígitos da idade do pai é par, é rapaz. 35 anos, portanto 3 + 5 = 8, é rapaz. Nunca falha.

Ora está bom de ver que há por aí uns Nunca falha e uns Nunca me enganei que, fatal como o destino e como tudo na vida, ficam com os dias contados.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Tenham medo. Tenham muito medo

A Protecção Civil emitiu um comunicado a informar que nos dias 22 e 23 (amanhã e depois, portanto), bem que podemos estar à espera de, e passo a citar, Inundações em meio urbano por acumulação de águas pluviais ou insuficiência dos sistemas de drenagem; Danos em estruturas montadas ou suspensas; Aumento do número de acidentes de viação devido à existência de piso escorregadio e eventual formação de lençóis de água ou o arrastamento de materiais sólidos para a via; Curto-circuitos em casas antigas; Queda de árvores; e Possibilidade de estradas cortadas nas regiões onde se prevê queda de neve. Enfim, aproxima-se o inferno, meus amigos, aproxima-se o inferno!

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Cá está:

O temporal que ontem arrasou a capital pode regressar já hoje, com nova vaga de chuvas fortes. O Instituto de Meteorologia elevou o alerta para Amarelo para os distritos de Lisboa e Leiria devido à previsão de chuva forte.

Lusa

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Nem imaginam como estimo o meu pátio

Gostaria de partilhar algo convosco: a minha casa tem um pátio. É um pequeno terraço pelo qual nutro muita simpatia. É um espaço que me permite dedicar a um grande passatempo meu, a minha colecção de Bonsai. Tem uma mesinha, cadeiras, dá para ler sossegadamente um livro e no Verão enche-se de amigos para os petiscos. O que quero dizer, mais precisamente, é que estimo muito este espaço, e por isso tenho de ter um especial cuidado com ele, porque é murado a toda a volta, o piso não tem inclinação e em madrugadas como a que Lisboa viveu hoje as chuvas torrenciais poderiam tranformá-lo num inesperado e indesejado tanque. Posso garantir-vos que dificilmente alguém encontrará local mais sujeito às surpresas de uma chuvada do que aquele. Mas tal não aconteceu, e posso arriscar um palpite para o explicar. Tenho para mim que é porque o escoador que está bem no centro da tijoleira é limpo regularmente. E porque é que o limpo assiduamente? Bom, acho que é mesmo porque estimo muito o meu pátio.

O Pedro e o Lobo

Não é a primeira vez que falo neste assunto, mas eu sou assim, teimoso. A Autoridade Nacional para a Protecção Civil adora brincar com os alertas que vemos aqui ao lado. Ele é laranja, ele é amarelo, por tudo e por nada. Desta vez talvez até houvesse razão para um desses avisos coloridos que vivem para ser comentados à mesa do café de bairro, mas a verdade é que o primeiro comunicado da ANPC sobre a chuva intensa que se fez sentir esta madrugada em Lisboa data de hoje, às 13h45, fazendo então as suas recomendações de protecção. Já o Instituto de Meteorologia tinha dito que "o pior já passou".

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Há horas próprias para tudo

Alguém, por favor, explique aos senhores editores da TSF que às 9h45 da manhã não é hora para se ouvir descrições detalhadas sobre a alheira de caça de Trás-os-Montes, de todos os mais pequenos pormenores das receitas com presunto de porco preto e da confecção e preparação ingrediente a ingrediente dos mais tenros pastéis de não sei o quê. Tenho para mim que, todos os dias e à mesma hora, este não é o conteúdo de rádio mais apetecido para o pára-arranca do trânsito da manhã. Prefiro, sinceramente, que me desassosseguem com os pré-avisos de recessão da economia norte-americana, com o trambolhão da bolsa e com o estudo encomendado ao LNEC para a terceira travessia do Tejo.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Os resguardados

Não dou o meu tempo por perdido no debate de ontem, que, aliás, soube a pouco. Mas confesso-me desiludido. Bem sei que para Luís Paixão Martins a tarefa não iria ser fácil, porque cabia-lhe o papel de defender-se de um argumentário que, todos sabíamos, iria resguardar-se no que aparenta ser o mais correcto para quem está de fora do fenómeno fonte/jornalista. É muito fácil dizer que um consultor de comunicação tem o papel de reduzir informação objectiva a soundbytes, forçando os destinatários a consumir informação enviesada. Parece-me demasiada certeza para quem garante nunca ter trabalhado com um consultor de comunicação. Tal como com a experiência que permite a um padre dar aconselhamento sobre matrimónio, Pacheco Pereira opina com uma interessante segurança sobre o que, diz ele, nunca quis ter por perto.
Já se percebe que "facção" defendo, está bom de ver. Por isso esperava mais de um Luís Paixão Martins que permitiu que os raciocínios que partilha connosco no seu blogue tivessem sido usados contra si. Ter-se-á esquecido que Pacheco Pereira é dos líderes de opinião mais inteligentes no uso da palavra e, em momentos de insegurança, resguardou-se no seu sentido de humor, efectivamente brilhante. O post de LPM sobre a necessidade de serviços de comunicação de Pedro Santana Lopes é claríssimo. Perante um Pacheco Pereira que fingiu não ter percebido o seu significado, Paixão Martins não soube defender-se da forma mais esperada, criando-se um sistema em que quem fala por último fica com a (aparente) razão. Um discurso de brincalhão a puxar à gargalhada da audiência não chega para destronar um Pacheco Pereira resguardado numa demagogia fácil de defender. Luís Paixão Martins esqueceu-se que o trabalho mais difícil iria ser o seu.
Tenho pena. Fico-me então pela versão escrita de Luís Paixão Martins, que me parece mais coerente no raciocínio e em bastante maior sintonia com o meu conceito de consultoria de comunicação.