terça-feira, abril 29, 2008

Memórias de um avião que só queria voar

231434 Empreendi numa incursão até às minhas mais profundas memórias para tentar perceber desde quando vejo na 2.ª Circular o avião. Já foi um restaurante, já esteve abandonado e desde há uns anos tem sido palco para desnudada gente com métodos muito específicos para alívio de stress no final de um dia conturbado. O Avião, como era mesmo conhecido este clube nocturno nos últimos dias, foi desmantelado ontem na sequência de o seu proprietário, José Gonçalves, certamente gente boa, ter literalmente ido pelos ares num atentado à bomba no ano passado.

thumbs.sapo.pt Tenho pena. Sempre nutri desde criança uma curiosidade muito especial pelos interiores do velho aparelho que se impunha à vista de quem entrava ou saía de Lisboa pelo lado norte da cidade. Reza a História que este avião que acaba de ser mascado pelas escavadoras e demolidoras aterrou um dia ali, por entre os anos 70, cheio de armas para tráfico. Lá a operação não terá ficado a dever muito ao "profissionalismo" e as autoridades portuguesas terão dado com a pandilha, apreendendo o aparelho. Aliás, não deixa de ser curiosa a linha de raciocínio de quem aterra um avião ao lado de um aeroporto numa óptica de ficamos aqui a ver se ninguém nos vê porque temos isto cheio de armas. Ter-se-ão esquecido que os aviões vêm pelo ar.

Vendido em leilão – porque mesmo no quem dá mais comprar um avião é coisa fina –, ali ficou a aeronave que pouco tempo depois viria a ser um restaurante. O strip-tease conferia já há vários anos outros voos para aquele espaço, mas a Câmara Municipal ditou esta semana o ponto final numa bela história que um dia poderia resultar num bom policial de bolso para o público-alvo do livro que dá de comer às traças.

Esta história acaba num processo de reciclagem. Talvez um dia tenhamos na mão uma qualquer embalagem que seja a reencarnação de alguns materiais ontem mastigados pelas famintas máquinas. Parece que se aproveita o trem de aterragem e um dos motores, que a TAP faz questão de reclamar para si para exibir num museu (espero que seja mesmo para um museu). E, repetindo-me, tenho pena. Acho que teria saída, o avião. Mais um restaurante, ou um hotel, porque não? Afinal, foram mais de 30 anos de paisagem que acaba em descampado.

quarta-feira, abril 16, 2008

Bouquet de argumentos

Tenho para mim que o valor e o significado de se oferecer flores à pessoa amada estão ligeiramente empolados. É um facto que a grande maioria das mulheres derretem-se quando são surpreendidas por um grande ramo. Muitos homens utilizam a técnica, inclusive, para pedidos de perdão ou para a ignição de um romance que teime em não passar do sei-que-sabes-daquilo-que-sabes-que-eu-sei.

Ora, toco no assunto porque sou acusado de não oferecer flores. Assumo que raramente o fiz e quando o fiz foi de uma forma agressivamente desajeitada que acabou pior que o soneto.

Passo então à minha defesa (desculpa). Oferecer flores é fácil. Vai-se a uma loja, compra-se, diz-se à florista para que efeito é e já está. Não é original. É mesmo o gesto mais banal do romance. Por isso desvalorizo-o. Se eu fosse mulher e me oferecessem um ramo de flores, o mais certo seria perguntar Não te ocorreu mais nada? É como a garrafa de vinho para o dono da casa que nos convida. É o mais fácil, a lei do menor esforço (embora seja esta a minha prática junto dos anfitriões que me acolhem). Por isso não ofereço flores. Porque eu é que sou original.

quarta-feira, abril 09, 2008

Ajuda à Protecção Civil

Como os senhores dos habituais avisos precoces deixaram passar esta, deixo a definição para que não lhes escape na próxima.

TORNADO. Meteorologia. Coluna de vento ciclónico em área restrita, mas de grande poder destruidor, com a aparência de uma grande nuvem negra em forma de cone invertido, frequente nas costas americanas.

in infopedia.pt