terça-feira, outubro 14, 2008

Dúvida éclair

KONICA MINOLTA DIGITAL CAMERA  Está bom de ver que o Homem é sábio na adaptação do mundo que o rodeia ao seu conceito muito próprio e cómodo de bem-estar e de conforto. A História assim o tem demonstrado clara e convincentemente. O Homem cria ao encontro das suas necessidades. É por isso que hoje nos deslocamos em máquinas, subimos escadas sem ser necessário mexer uma perna ou executamos virtuosas operações financeiras sem pôr o pé num banco.

Ora, dito isto, alguém me explique então a estratégia de três passos para a frente e um para trás que pontualmente sobressai nas grandes invenções da e para a Humanidade. Gostaria de saber quem foi o génio, a retorcida mente, que um dia se lembrou de substituir a braguilha das calças por um sistema de botões que consomem 20 vezes mais tempo para serem fechados – isto no caso de o esforço ser bem sucedido à primeira – perante o trabalho consumado frente a um urinol. Tecia um amigo meu, reagindo à minha dúvida, que o problema da braguilha residia no entalamento. Primeiro, meus caros amigos defensores da botanada calceira, não me lembro de alguma vez ter sofrido de tal acidente. E para os que se entalam, devo lembrar que as peças interiores de vestuário, embora com os seus propósitos muito específicos, consubstanciam-se num bom aliado no contorno de certos problemas.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Quando a sensualidade está nos tornozelos

Eu sou o primeiro a não compreender algumas das minhas próprias obsessões. Há pequenas coisas que me ficam atravessadas, pequenos mistérios do modo de pensar e agir do ser humano que, para serem desvendandos, obrigariam a épicos feitos ainda mais cabeludos do que procurar, por exemplo, as mais enigmáticas origens do Universo. Quem comigo convive conhece algumas das minhas eternas embirrações. Por isso, e perdoem-me o desabafo, partilharei mais uma que, com sinceridade vos digo, me atormenta de forma absurda.

A verdade é que não consigo compreender porque é que na generalidade das casas de banho em espaços públicos e também – descubro eu agora – em locais de trabalho a porta não vai até ao chão, como manda o bom princípio de uma porta que se quer como tal. Que perversa finalidade poderá ter – e para que tipo de alminhas – olhar para a porta de uma casa de banho e vislumbrar, do outro lado, dois pés com um par de calças enrodilhado nos tornozelos? Voyeurismo? Fetiche? As dimensões das casas de banho, por alguma razão, não têm medidas standard e esquecem-se de tal pormenor quando mandam fazer a porta? Ora, apenas uma certeza sobressai: quem não leva as portas das casas de banho até ao chão fá-lo com intenção. Acreditem, meus amigos, que temos a sociedade trilhada entre gente doente e perturbada. Gente que anseia por ver uns quaisquer jeans ou mesmo calça de fato a embrulhar um par de tornozelos. Deambulam por aí à procura, tenho a certeza. Pensem muito bem nisto na vossa próxima dor de barriga e digam-me se não tenho razão.