Quando damos por ela, já partilhamos o que juraríamos serem segredos só nossos. Mas, também, de que outro modo descobriríamos quem os entende?
sexta-feira, dezembro 28, 2007
Mostra-me o teu iPod, dir-te-ei quem és II
Radiohead;
dEUS;
David Byrne (mais do que Talking Heads);
Dianne Reeves;
Lisa Ekdhal;
Pearl Jam;
Zero 7;
Lamb;
Morcheeba;
Doors;
R.E.M.;
Silje Nergaard;
Tom Waits;
Clã;
Jorge Palma;
Ben Harper;
Caetano Veloso;
Belle and Sebastian;
Arcade Fire;
(...)
Mostra-me o teu iPod, dir-te-ei quem és
edição de Janeiro de 2008 da revista SuperInteressante publica um artigo que se me afigura como um dos mais interessantes que tive oportunidade de ler nos últimos anos. Costumo ser muito céptico em relação a conclusões científicas avulsas, dessas que dizem que daqui a X anos vai acontecer aquilo e aqueloutro com o clima, por exemplo, mas neste caso a proximidade das conclusões aos casos reais que me estão próximos são impressionantes.
Reza o artigo, e aqui não há novidade, que há uma estreita relação entre a personalidade e os gostos musicais. Mas aprofundados os estudos de neuromúsica temos então o seguinte:A
Pop e country - Pessoas mais convencionais e optimistas;
Heavy Metal - Associado a pessoas curiosas, atléticas e habituais cabecilhas sociais;
Hip-hop e funcky - Extroversão, energia, elevada auto-estima;
Apreciadores de Madonna ou a banda sonora de Danças Com Lobos - Pessoas conservadoras, endinheiradas, agradáveis e emocionalmente instáveis;
Ópera e música clássica - Nível superior de educação, mas péssimos condutores, verdadeiros perigos ao volante. Preferem vinho à cerveja;
Dance e house - Os apreciadores destes estilos costumam viajar com frequência;
Amantes de rock e pop dos anos 60 - Franja mais atingida pelo desemprego, mas os psicólogos desvalorizam esta relação devido à faixa etária;
Filmes musicais - Raramente tocam em álcool.
Há mais. Porém, interessantes são ainda outras conclusões como o facto de os apreciadores de música DJ, hip-hop, dance e house terem propensão para serem solteiros, mas quando arranjam uma relação estável passam a gostar de country, blues, pop e música clássica.
Um estudo feito sobre um distúrbio mental de um italiano de 68 anos (demência fronto-temporal) descobriu durante o processo que o paciente abandonara, subitamente, o hábito de ouvir música clássica para escutar no volume mais alto possível um conhecido cantor pop italiano cujas canções lhe tinham sempre merecido o epíteto de ruído de merda.
Portanto, em futuros conhecimentos, sejam de negócios ou outros, peçam sempre uma consulta ao iPod.
segunda-feira, dezembro 24, 2007
Nome: Larry Stewart, Pai Natal para os amigos
Tudo indicava, portanto, que a história acabaria assim, sem que muitos pelo mundo a conhecessem. Porém, chegados estes dias, a obra de Larry Stewart mantém-se: há um seguidor, um outro “Pai Natal Secreto” que este ano distribuiu notas de cem dólares e outros presentes pelo Kansas. Nas notas de dinheiro constava apenas um carimbo a vermelho com o nome de Larry: Larry Stewart: Secret Santa, pode ler-se. Mas pouco mais se sabe sobre o novo benfeitor.
Esta história atingiu proporções tais que foi já criado um site de recrutamento de Pais Natais secretos para que a iniciativa se espalhe pelo mundo.
Anti-americanismos à parte, recomendo vivamente uma visita a http://www.secretsantaworld.net/ e partilho convosco esta reportagem que tanto diz, feita pela cadeia de televisão KMBC-TV, do Kansas.
quinta-feira, dezembro 20, 2007
Há 17 anos
segunda-feira, dezembro 17, 2007
Boa sorte com os palpites sobre o tempo que vai fazer amanhã
Quero aqui deixar duas felicitações. A duas casas que em Portugal têm desenvolvido uma arte de qualidade ímpar e que, efectivamente, não está ao alcance de qualquer artista. Duas instituições que devem ser perpetuadas e que decerto contribuem activamente para colocar Portugal no mapa da arte mundial.
Quero, por tudo isto, dar os meus parabéns ao Instituto de Meteorologia e à Autoridade Nacional de Protecção Civil. A primeira, faz-nos saber logo de manhã pelas notícias que está a chover quando lá fora faz sol e vice-versa. Acho que é arte, daquela de aplaudir. Já a Protecção Civil joga com a nobre arte do terror. É uma arte com uma esteticidade cromática, ainda por cima, porque atribui códigos de cor ao terror. Ele é alertas amarelos, laranja, enfim, um arco íris inteiro para criar um clima de ansiedade entre os seus públicos.
Desde quinta-feira que estão patentes na grande galeria pública os alertas amarelos e laranjas de frio para Lisboa. Que a capital iria ter temperaturas de 1º e etc., num registo muito pouco habitual para a região. Ora, que eu tenha lido posteriormente, parece que as mínimas até subiram, as máximas é que desceram, daí estarem 6º em Lisboa à hora a que faço esta postagem.
Hoje, as duas casas de artistas mantêm os seus alertas, numa espécie de um jogo de os manter até acertarem. O problema é que se não vier o frio que apregoam, os alertas vão continuar por aqui em Agosto. É que quando nevou em Lisboa há dois anos esqueceram-se de adivinhar tal coisa.
Lembram-se daqueles alertas fantásticos de mau tempo e tempestades em que depois não aconteceu nada? Pois é.
Já agora, vai estar muito vento em Lisboa amanhã, vejo eu aqui no mercado negro das previsões meteorológicas. Já avisaram a malta?
quinta-feira, dezembro 13, 2007
O longo percurso entre a anedota e a inteligência

Voltando à questão da inteligência, entre os pontos que revelam maior maturidade num comediante está a arte de saber parar, de saber respirar. Foi neste ponto que falhou Herman José, quem eu já considerei em outras fases da minha vida a grande referência do humor em Portugal. Creio, porém, que já nada poderá salvar esta figura, pelo que o mais sensato é ficarmo-nos pelos tesouros dos anos 80 e inícios de 90 que a RTP há-de ter guardados a sete chaves.
Já outro exemplo mostra bem a estratégia inversa: Jerry Seinfeld, que baseia o seu humor na pura observação do quotidiano da sociedade (o que requer o mais alto nível de inteligência possível), soube dizer NÃO. É conhecida a história do cachet milionário que o comediante rejeitou para continuar a sua famosa sitcom de televisão. Recusou para proteger a sua imagem. Alguns anos depois, está de volta como voz off num filme de animação. A ver vamos se não faz nódoa em branco linho.
O que me traz, em Portugal, aos Gato Fedorento. Pararam. Souberam dizer o NÃO. Souberam demonstrar níveis elevados de inteligência em todas as fases da carreira, misturando perspicácia com a genialidade do nonsense britânico dos anos 70, e agora, mais uma vez, jogam a carta certa. Hão-de regressar saudosos, desejados e prontos para nova astúcia. Porém, é necessário que esta estratégia esteja concertada com a Comunicação Social. A capa de hoje da revista Visão é mais uma em poucas semanas a encher-nos de Gato Fedorento, Gato Fedorento e Gato Fedorento. Protegem os comediantes o que a imprensa desgasta. E talvez esteja na altura de parar também por aqui.
terça-feira, dezembro 11, 2007
segunda-feira, dezembro 10, 2007
A verdade sobre rodas
Sabem muito, estes taxistas. Tenho de apanhar mais taxis para me desvendarem mistérios assim.
sexta-feira, dezembro 07, 2007
Coração soprado
Foi uma corrida, um triatlo, um triângulo, como quiserem chamar-lhe. Em menos de um mês, três concertos. Vanessa da Mata, Jorge Palma e, ontem, Clã. Foi por ordem crescente de qualidade, digo eu. Aos primeiros sinais da Vanessa ponho o rádio mais alto, nos trabalhos do Jorge revejo-me, mas os Clã sopram-me ao coração. Ontem, sem dúvida, sopraram-me ao coração. Sobretudo no momento que aqui partilho:
Sobressaltos no meu lado esquerdo
Ao longo da vida, muitas são as partidas que nos são pregadas pelo nosso lado esquerdo. Os Clã são, cada vez mais, cúmplices dos sobressaltos com que o meu lado esquerdo me tem mimoseado nos anos ainda mal enterrados na memória. Os Clã conhecem-me. Só posso acreditar nisso, porque no seu álbum mais recente, Cintura, há uma música que afianço ter sido escrita para mim. Esta é para o Ricardo, celebraram quando acabaram de compôr o Sexto Andar. Ontem fui vê-los na Aula Magna, em Lisboa. Manuela Azevedo pegou no microfone, virou-se para mim e explicou-me que a música até esteve quase para não ser gravada, porque ia-se perdendo entre bits e bytes que um dia acharam que se poderiam evadir de um computador. Ontem, os Clã tocaram-na, a minha música, aquela que foi feita para mim. Partilho-a convosco.
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Quem usa casaco pelos ombros não usa relógios bonitos
Isto tudo para dizer o quê? Que, pelo inverso, eu deveria nutrir alguma empatia com pessoas de bom gosto, nomeadamente pessoas que usam relógios fabulosamente bonitos. Ou seja, quem usa casaco pelos ombros não usa relógios bonitos.
Se há algo em que reparo sempre em alguém, seja num jantar, reunião ou num simples aperto de mão, é no relógio. Considero esta subdivisão do vestuário uma das mais importantes e consideráveis marcas de imagem de alguém. Gosto de relógios, gosto de exibir sempre o que tenho no pulso e nunca deixo de espreitar os relógios alheios seja em que situação for. Ora, deveria então, por contraponto à história do casaco, simpatizar de uma forma imediata e automática com quem exiba um magnífico relógio. Pois que aprendi hoje que não deveria fazê-lo.
segunda-feira, dezembro 03, 2007
Genialidade sem preço
O primeiro passo foi dado para juntarmos o melhor de dois mundos. Quando os Radiohead disponibilizaram, em Outubro, o mais recente álbum numa inovadora modalidade de pay-what-you-want, a estalada sem mão às editoras pareceu fatal. Enquanto muitos músicos, sobretudo norte-americanos, se manifestam em desagrado perante os elevados preços dos discos, contestando a chulice das grandes labels que insistem na ganância, os britânicos liderados por Thom Yorke passaram à acção e começaram uma caminhada para provar como se pode fazer chegar aos fãs boa qualidade sem que estes tenham de pagar caro por isso.
Como seria de esperar, a guerra não tardou. Soube-se hoje que os Radiohead, tal como o Prince – que distribuiu o seu último álbum com um jornal inglês –, não vão ver os seus nomes entre os candidatos aos Brit Awards, uma vez que não seguiram as regras. Posso, no entanto, adivinhar o que se poderá passar agora com os Radiohead: In Rainbows, o álbum de que estamos a falar, é um dos mais belos e geniais trabalhos musicais das últimas muitas décadas. A banda de Thom Yorke provou que consegue superar-se a si própria e produziu aquele que em poucos dias se tornou nos álbuns mais ouvidos por mim de entre toda a minha colecção acumulada ao longo de anos. Riem-se as editoras, porque a estratégia de pay-what-you-want dos Radiohead revelou-se um tremendo fracasso – 62% dos downloaders não pagaram um tostão pelo trabalho. Mas creio que ri melhor quem ri por último quando se fizerem as contas às receitas dos concertos de uma (ainda não anunciada) tournée que já gera muitas ansiedades.
Até lá, deliciemo-nos com o que temos: